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Olha o Tatá aí…

Tatá Aeroplano acaba de lançar, sem nenhum aviso anterior, mais um disco solo, chamado Lendas e Sol. O disco diverge de seus dois anteriores (Não Dá pra Agarrar, de 2022, e Boate invisível, do ano seguinte) por retomar o clima introspectivo de sua carreira, já que os últimos dois pareciam expurgar o clima pesado da pandemia à base de festa. O novo disco é gravado ao lado de seus cúmplices de sempre – o baterista Bruno Buarque, o baixista e tecladista Dustan Gallas e o guitarrista Junior Boca – e aponta para discos como seu primeiro solo (de 2012) e Delírios Líricos (de 2020), em que ele encarna o bardo da canção e canta a alegria e a tristeza como partes indissociáveis da vida, em canções que descreve “nascidas em quartos de hotel, momentos de calmaria e agitações noturnas”, puxando pra metade “na lucidez” de sua carreira solo, já que os discos anteriores foram do lado “na loucura”. Ainda digerindo por aqui, tá bonito…

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Verséculos na prática

Verséculos não é apenas o nome do reencontro de André Abujamra e Chicão – que já haviam trabalhado juntos no espetáculo Omindá, do primeiro e sempre se esbarraram pelos bastidores da vida -, mas batiza uma “banda” encarnada pela dupla, que fez sua primeira apresentação nesta terça-feira, no Centro da Terra. Com Chicão ao piano e André entre a guitarra, o atabaque e uma “flauta chinesa da China”, os dois passearam por um repertório majoritariamente composto por músicas de Abujamra – incluindo dois “lados B”, um do Karnak (“Ninguepomaquyde”), que abriu o show, e outro do Mulheres Negras (“Guembô”), exigência de Chicão, fã do grupo desde antes de imaginar que poderia tocar com o então futuro parceiro, nos anos 90. O resto da noite foi tomado por versões delicadas de músicas do Karnak (“Universo Umbigo”, “Estamos Adorando Tóquio”, “Juvenar” e “O Mundo”, que encerrou a apresentação), outras da carreira solo de André (como “O Mar”, a linda “Espelho do Tempo” e “Imaginação”, que ele sempre aproveita para tirar onda com o público) e uma versão em russo fajuto para “Tiro ao Álvaro”, de Adoniran Barbosa. Chicão não trouxe suas próprias composições, mas tirou dois ases da manga: um recital ao piano de uma certa Clarice Leite (que, revelou ao final da música, era a mãe dos irmãos mutantes Arnaldo Baptista e Sérgio Dias) e uma versão brasileira de “River Man”, de Nick Drake, que ousadamente tornou-se “Ri Vermei” e mudou o tom da música, indo da introspecção fatalista para a contemplação universal. Uma noite e tanto – que vivam os Verséculos!

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André Abujamra + Chicão: Verséculos

Maior satisfação receber nesta terça-feira o encontro de duas almas iluminadas pela música no palco do Centro da Terra, quando André Abujamra e Chicão fundem suas trajetórias no espetáculo Verséculos, em que remontam uma lenda pessoal antiga que, em vidas passados, os dois foram gêmeos siameses, que se reencontram como reflexos idênticos para uma missão ousada – eternizar o amor pelo som, sempre completando trechos musicais que cada um deles inicia no que chamam de Música da Eternidade. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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A hora da Boia

Uma das atrações da próxima edição do festival Chama, a banda campineira Boia comemora seu primeiro aniversário lançando o primeiro EP, gravado ao vivo no estúdio Sincopa, em Campinas, nesta quarta-feira e eles antecipam a faixa que batiza a banda em primeira mão para o Trabalho Sujo. “A ideia era aproveitar a disciplina de Música e Tecnologia, oferecida pela Unicamp, para mostrar o trabalho autoral que vinha sendo realizado pela banda dentro e fora do contexto universitário”, explicam o o baixista Murilo Kushi e o violonista e vocalista Leo Bergamini. “Tivemos 4 horas de estúdio disponibilizadas por essa disciplina, o que é relativamente pouco para a realização de um trabalho extenso, por isso optamos por gravar três faixas ao vivo, ou seja, com todos os integrantes gravando ao mesmo tempo, e para representar a pluralidade estética presente em nosso trabalho, selecionamos composições com sonoridades e influências distintas, cada uma retratando um momento do nosso show”. Esta primeira faixa – que começa contemplativa para logo pegar groove – já dá uma boa ideia do espectro do sexteto, que ainda conta com a voz de Luli Mello – Voz, os sopros de Renato Quirino, a guitarra de Murilo Costa Rosa e a bateria de João Decco. Ouça abaixo:

Ouça abaixo:  

John Carpenter nos quadrinhos!

O mestre do terror John Carpenter dá um passo rumo a uma nova disciplina. Depois de se estabelecer como um dos grandes nomes do cinema e aos poucos conseguir seu espaço como compositor para além da trilha de seus próprios filmes, em discos e apresentações ao vivo que faz ao lado do filho Cody Carpenter e do afilhado Daniel Davies (que também é filho do guitarrista dos Kinks Dave Davies) na guitarra, ele agora entra no mundo dos quadrinhos ao anunciar sua primeira graphic novel. Cathedral (já em pré-venda). Concebida com sua esposa – e parceira criativa de anos – Sandy King, ela conta a história de um assassinato misterioso em uma catedral em Los Angeles e foi desenhada por Federico De Luca e Luis Guaragna, e vem acompanhada de um disco que é a trilha sonora composta por Carpenter para a nova jornada. E pela primeira canção apresentada, “Lord of the Underground”, é a primeira incursão do cineasta ao mundo do heavy metal. Vamos ver se o disco todo, que será lançado no dia 7 de agosto segue essa linha…

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Lá vem o Maurício Pereira…

Que beleza começar a terça-feira com notícias do Maurício Pereira, que lança o primeiro aceno de seu nono disco, o single “Casamata de Amoreiras”. Composto em parceria com Rômulo Fróes, produzido por Biel Basile que também está na bateria, ao lado de Fábio Sá no baixo, o filho Chico Bernardes e o compadre Tonho Penhasco nas guitarras e Julia Toledo no piano, o novo single abre os trabalhos para o disco que será lançado no final de julho, terá participações de Tim Bernardes (o outro filho de Maurício) e da Charanga do França e é seu primeiro disco de inéditas desde o excelente Outono no Sudeste (de 2008). Chega mais, Maurício!

Ouça abaixo:  

Camadas e camadas

Entre me levantar da poltrona em que vejo a apresentação até cumprimentar os artistas em seguida (algo que leva entre cinco e dez segundos), ouvi três vezes comentários que usavam a palavra “camadas” – sempre no plural – logo após a terceira noite da temporada Acontecimento que o trio Crizin da Z.O. vem fazendo no Centro da Terra, em que receberam o produtor de Guarulhos MNTH e o conterrâneo carioca Lcuas Pires. Só a configuração de palco já foi radicalmente diferente das noites anteriores, em que seus respectivos convidados (Kiko Dinucci e Deafkids) trouxeram guitarras e incitavam a percussão. Esta última até esteve presente na noite, embora tocada com apenas um atabaque e disparadores mecânicos de beats. Em sua terceira segunda-feira, a temporada Acontecimento mergulhou na eletrônica, distorcendo timbres, letras, sequências e até transmissões de rádio para criar justamente as tais camadas mencionadas em voz alta por vários dos presentes após a noite, criando uma trama ambient de noise que abriu uma outra dimensão na textura sonora do grupo. Hipnose de fim de mundo.

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Haruomi Hosono vem aí

Único remanescente vivo da lendária Yellow Magic Orchestra, o japonês Haruomi Hosono vive dias de glória ao ser reverenciado por uma nova geração de artistas – além de sampleado pelo Vampire Weekend e gravado pelo Mac Demarco e pelo conterrâneo Cornelius, ainda abriu as portas de sua casa para receber tanto Mac quanto o geese Cameron Winter em suas recentes passagens pelo Japão. Pioneiro do rock psicodélico japonês ainda nos anos 60 (com a banda Apryl Fool, criada uma década antes do YMO que fundou ao lado dos saudosos Yukihiro Takahashi e Ryuichi Sakamoto), ele acaba de anunciar o lançamento de Yours Sincerely, seu primeiro álbum desde 2019, agendado para setembro deste ano. Não há maiores informações sobre o disco além do título, capa, data de lançamento e dos nomes das músicas e que ele fará alguns shows para aproveitar o novo álbum, dois deles nos Estados Unidos, quando apresenta-se no Radio City Music Hall de Nova York no dia 16 de setembro e no Greek Theatre de Los Angeles no dia 20, ambas apresentações com abertura de Toro y Moi. Mas ele soltou um post em sua conta no Instagram para comentar o novo trabalho:

Agora tenho 78 anos, mas, desde então, sinto uma crescente curiosidade pela música desconhecida que meu novo eu criará, ao mesmo tempo que acolho a música do meu eu anterior — como se agora carregasse dois mundos musicais dentro de mim…

“Tudo começou com uma pergunta simples: como expressar em inglês as ideias japonesas de omoiyari (思い遣り), jihi (慈悲) ou boseiai (母性愛)? Procurei, mas nenhuma palavra parecia certa. Cada uma se aproximava, mas carregava uma nuance ligeiramente diferente. Talvez a mais próxima fosse ‘compaixão’, que é frequentemente traduzida como ‘omoiyari’ em japonês, mas seu significado original significa ‘sofrer junto’. Tende a carregar um sentimento de simpatia ou pena — algo que parece distinto do sentido japonês de ‘omoiyari’. Em japonês, ‘omoiyari’ também inclui o sentimento de ‘ficar feliz junto’. Nesse sentido, pode até parecer o oposto. A perspectiva, o ângulo emocional — sutil, mas fundamentalmente diferente. Por essa razão, optei por não usar ‘compaixão’. Em vez disso, recorri a uma palavra mais familiar, frequentemente usada para encerrar uma carta: ‘Atenciosamente’”.

O disco já está em pré-venda. Veja abaixo a capa e o nome das músicas:  

Um festival para lembrar os dez anos sem Prince

Responsáveis pelo legado de Prince já começaram a lembrar os dez anos de sua morte com o lançamento do single “With This Tear” e agora acabam de anunciar um festival para festejar a importância do mestre da soul music ao revelar o evento “Celebration of Life” que acontecerá entre os dias 3 e 7 de junho no próprio Paisley Park em que Prince conduzia seu trabalho e em áreas de sua cidade-natal, Minneapolis, nos EUA. Entre os nomes confirmados estão as duas bandas que o acompanharam em diferentes momentos de sua carreira – a Revolution e a New Power Generation -, além de outros favoritos do gênio como a musa Chaka Khan, o implacável Morris Day, entre outros, além de participações de Bootsy Collins, Jimmy Jam e Terry Lewis, que também estarão presentes em mesas de discussões que acontecerão durante o evento. Além dos shows e dos debates, ainda haverá um brunch dominical com festa gospel ao ar livre, uma audição com material inédito que será lançado futuramente, uma mesa que contará os planos de lançamentos do artista nos próximos dez anos, visitas ao estúdio, exibições de filmes e shows do homem e discotecagens. Os ingressos já estão à venda.

Uma boa e uma má notícia para os fãs da Oklou

Uma boa e uma má notícia para os fãs brasileiros da francesa Oklou, uma das atrações do C6Fest desse ano. A boa notícia é que ela se encontrará com os fãs para dar autógrafos no próximo sábado num evento cujo local ainda será anunciado e que acontece no dia anterior ao show que fará domingo no festival. A má notícia é que as inscrições para o evento foram tantas que os organizadores já fechou o site em que era possível se cadastrar para o encontro, infelizmente.