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Lana Del Rey entre um conto de fadas e um filme de terror

Eis “White Feather Hawk Tail Deer Hunter”, nova amostra do próximo disco de Lana Del Rey, que foi adiado algumas vezes e até onde sabemos se chamará Stove. Mas o que antes foi anunciado como um disco country parece estar tomando rumos inesperados, especificamente a partir da nova faixa, lançada nesta terça, em que ela aparece entre um conto de fadas e um filme de terror, rimando letras que fazem mais referência ao seu próprio imaginário autoral do que ao cânone da cultura caipira dos EUA. Ela difere completamente das duas músicas anteriores que havia lançado no ano passado – as belas “Henry, Come On” e “Bluebird” – e aponta mais dúvidas do que certezas em relação ao seu próximo álbum, o que é bom, principalmente quando falamos de Lana. Sua natureza rebelde e inconstante é parte de sua aura musical e com o novo single ela dá um cavalo de pau mental em seus fãs parecido com o que deu há dois quando lançou os sete minutos de “A&W” um mês antes do ótimo Did You Know That There’s a Tunnel Under Ocean Blvd. Talvez Stove (se é que realmente manterá esse título, apesar da palavra ser citada na letra da nova música) seja algo completamente diferente do que a expectativa do novo álbum parecia prever. O que, reforço, é sempre uma boa notícia.

Ouça abaixo:  

Carnaval fritação

Uma segunda de Carnaval tão improvável quanto insana – assim foi o Inferninho Trabalho Sujo na Porta Maldita, quando reunimos duas amostras da melhor nova fritação musical paulistana atualmente. A noite começou com o prog jazz do Besta Fera, que reúne dois integrantes da Mee – o guitarrista Arthur Sardinha e o baterista João Pedro Dentello – ao tecladista André Damião e ao baixista absurdo Tom dos Reis, encontrando uma incerta encruzilhada instrumental entre o jazz funk, o prog metal e o fusion, com tempos quebrados e timbres pesados. E pensar que era só o começo da noite…

Depois veio o sexteto Pé de Vento, segundo show do baixista Tom dos Reis na noite, quando ele tocou ao lado do baterista Tommy Coelho, desta vez tocando guitarra, do impressionante Antonio Ito na batera, do ás das teclas Pedro Abujamra, o violão preciso de Arthur Scarpini e os sopros – e o carisma irrefreável – de Leonardo Ryo. Jazz brasileiro com “a” aberto e “j” maiúsculo, o grupo passeia por composições instrumentais próprias que abrem solos maravilhosos para todos seus integrantes, que comportam-se ainda mais afiados quando atacam ao mesmo tempo. Além dos próprios temas, o grupo ainda passeou por suas já conhecidas versões para Arthur Verocai (“Dedicada a Ela”) e Milton Nascimento (“Vera Cruz”), além de voltar com “Cissy Strut”, dos Meters, no bis. Absurdo!

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Jeff Tweedy ♥ Cameron Winter

Jeff Tweedy também é time Geese – e escolheu uma música do recente disco solo do vocalista da banda indie sensação da vez para comemorar o dia dos namorados nos EUA em sua newsletter. Dedicando sua versão de “Love Takes Miles” para sua esposa Sue Miller, ele enaltece também a canção de Cameron Winter, dizendo que ela é “comovente para uma pessoa tão jovem lançar no mundo”, além de defender o Geese apesar de dizer que “muita gente tem muitas opiniões sobre eles”. Tweedy despe a épica e atordoada balada de Winter de seu arranjo new wave tocando-a apenas no violão e revelando toda a doçura sob a assertividade da versão original. “É o tipo de amor que faz o chão sob seus pés ficar mais firme e as cores mais fortes”, escreve o vocalista do Wilco, desejando um feliz dia dos namorados, mesmo que seja uma data de mentira, “afinal amor nunca é mal, especialmente agora. Pode ficar pior e quase sempre fica. Sigamos.”

Ouça abaixo:  

R.E.M. nos Simpsons!

O R.E.M. é outra ex-banda que está só ciscando repercussão pra ver se vale a pena voltar aos palcos e dessa vez seu vocalista Michael Stipe voltou aos Simpsons depois de um quarto de século (quando participou do episódio Homer the Moe, em 2001) para cantar uma versão de sua baladaça “Everybody Hurts”. Depois de cruzar a barreira dos 800 episódios, o desenho animado encerrou sua 37ª (!) temporada com um desenho chamado Homer? A Cracker Bro? em que o pai da família amarela se une com o pai de Milhouse, Kirk Van Houten, para criar uma empresa de bolachas que não soltam farelos e o sucesso da empresa acaba por deixar o sócio de Homer deprimido. É aí que surge o próprio vocalista do R.E.M. Michael Stipe cantando uma paródia de sua música original com trocadilhos infames como “at night you snack alone”, “don’t let yourself choke just because your mouth is dry” e “Everybody Kirk’s, crumb times”. Volta, R.E.M.!

Assista abaixo:  

A primeira demo de “Psycho Killer” dos Talking Heads

Mais um degrau rumo à escalada de uma possível reunião dos Talking Heads, o disco Tentative Decisions: Demos & Live reúne as primeiras demos do grupo liderado por David Byrne, inclusive do tempo em que eram apenas um trio, com Tina Weymouth no baixo e Chris Franz na bateria, antes da entrada do ex-Modern Lovers Jerry Harrison nos teclados e segunda guitarra. É o caso da demo de um dos maiores hits do grupo, “Psycho Killer”, que surge agora como a primeira amostra do disco que vai ser lançado no dia 6 de março (e já está em pré-venda). Saca só:  

Bad Bunny ♥ Soda Stereo

A aparição de Bad Bunny na final do campeonato de futebol americano aconteceu no meio de sua turnê pela América do Sul, em que está repetindo a tática da Dua Lipa de puxar a brasa para os países em que passa ao cantar versões de músicos locais ou convidá-los para o palco. No Chile, ele cantou Victor Jara e Violeta Parra, na Colômbia convidou Karol G e nesta primeira apresentação que fez em Buenos Aires em 2026, ele pôs o grupo que o acompanha, o Los Pleneros de la Cresta, para saudar os locais com a clássica “De Música Ligera”, hit imortal do Soda Stereo, maior grupo de rock argentino.

Assista abaixo:  

O Help de Damon Albarn

Damon Albarn também estará na coletânea Help (2), que em seu anúncio trouxe uma música inédita dos Arctic Monkeys, “Opening Night”. Em “Flags”, o vocalista do Blur e do Gorillaz divide os vocais com o poeta inglês Kae Tempest e do vocalista dos Fountains D.C. Grian Chatten e arregimentou uma banda que inclui dois integrantes do Gorillaz (o baixista Seye Adelekan e o baterista Femi Koleoso), três guitarristas de primeira (o eterno smiths Johnny Marr, Adrian Utley do Portishead e Dave Okumu, parceiro de Jessie Ware) e um coro com participações de Jarvis Cocker (cujo Pulp também participa da coletânea), Carl Barat dos Libertines, Georgia Ellery e May Kershaw do Black Country New Road e um coral infantil de mais de 40 vozes. Help (2) é a nova coletânea que a ONG War Child produz para arrecadar fundos para crianças que vivem em zonas de guerra, repetindo o feito de 1995, quando lançaram um disco cheio de participações foda (única coletânea a reunir Blur e Oasis, ainda tinha Radiohead, Portishead, Massive Attack, Sinéad O’Connor, entre outros). A nova coletânea ainda trará músicas de Beth Gibbons, Depeche Mode, Cameron Winter, Olivia Rodrigo, Wet Leg, Beck e muito mais – e será lançada no dia 6 de março. Dá pra ouvir “Flags” na íntegra abaixo:  

Kneecap vai de Banksy

O trio irlandês Kneecap, dos grupos mais importantes do pop atual principalmente por não afastar-se de questões políticas tidas como “delicadas” pela mídia tradicional, está em contagem regressiva para o lançamento e seu próximo álbum, Fenian (programado para o dia 24 de abril), e contou com a benção de ninguém menos que Banksy no lançamento de seu single mais recente, “No Comment”. O enigmático e provocador grafiteiro inglês cedeu ao grupo o uso da imagem “London High Court”, que apareceu em setembro do ano passado no muro da Corte Real de Justiça inglesa e trazia um juiz levantando um martelo para agredir um manifestante. O pixo foi apagado em pouco tempo, mas agora foi eternizado quando o grupo pode usá-lo em seu single. “Você não consegue lavar um genocídio”, esbravejou o trio no lançamento do single, “sua cumplicidade sempre permanecerá.”

Ouça abaixo:  

Desaniversário | 14.2.2026

Chegou o sábado de Carnaval e com ele a Desaniversário deste mês! Vamos se acabar de dançar com muita música brasileira no Bubu, que fica na marquise do estádio do Pacaembu (Praça Charles Miller, s/nº), a partir das 19h. Mas chega cedo que a festa também acaba cedo e vai só até a meia-noite. Vem dançar com a gente!