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Juper: Em Caráter Experimental

Maior satisfação trazer Juliana Perdigão – ou Juper, como assina desta vez – para tomar conta das segundas-feiras de outubro no teatro com sua temporada Em Caráter Experimental, em reúne-se a cada apresentação com alguém diferente para testar processos no palco a dois. A primeira delas, neste dia 5, chama-se Kombini, em que apresenta-se ao lado de Dudu Tsuda (que apresenta-se como DJ Shima), transformando o palco do teatro em uma pista de dança pra exorcizar as energias ruim em movimento. Nas semanas seguintes, ela traz primeiro o projeto Versom, ao lado dos visuais de Ciça Lucchesi (dia 13, porque dia 12 cai num feriado), depois a noite Sung Songs, ao lado de Gustavo Infante e finalmente no Passeio Macio, no final da temporada, quando toca ao lado do conterrâneo mineiro Davi Fonseca. Os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra e os espetáculos começam pontualmente às 20h.

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Chama comunidade

Mais um Chama pra conta e cada vez mais o festival caminha para o que eu e o Arthur vislumbramos quando pensamos num evento voltado para bandas que estão começando a colocar a cabeça pra fora da água por conta própria. Artistas que, seguros da própria musicalidade (sempre única e própria), dispõe-se a mostrá-las para um público disposto a descobrir novidades, justamente por saber que este é um espaço para abrir-se para o desconhecido. E ao tornar o convite para outros artistas participar de cada um dos shows reforça cada vez mais o que percebemos desde antes da primeira edição, no final do ano passado. Não estamos falando de cena, de sucesso, de fama ou de dinheiro – e sim de realização pessoal coletiva, muito mais do que individual. É a formação e a fomentação de uma comunidade, de artistas que descem do palco e conversam com o público e ficam para ver os outros shows, misturando-se e tornando-se eles mesmos público de outros artistas. E o público em si nem é só público, mas formado por artistas de outras áreas, sempre querendo ver o que outras pessoas estão fazendo. Então mais do que showzaços da Jambu, Boasorte, Pedro Lanches, Vinco, Possanti, Unhas e Dentes, Caruma e Technobalde (todos com excelentes participações), o que vimos neste sábado em véspera de eleição (e que eleição!) e tão bem verbalizado pelo Gabriel Mar, vocalista da Jambu, e pela Ingrid Rocha, vocalista da Boasorte, é como estamos juntos neste mesmo barco e poder viver para fazer arte é um privilégio que deveria ser estendido a todas as pessoas. Noitaça que já nos faz pensar em quando será nosso próximo encontro…

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Angèle ♥ Caroline Polachek

Angèle fez de novo. Prestes a lançar seu novo álbum Instinct (que sai no próximo dia 16), a cantora belga soltar mais um single irresistível, “Love Triangle” – e justo com Caroline Polachek. Quem fecha o triângulo do título é o produtor SebastiAn, segundo nome da cena eletrônica francesa a adentrar em seu novo disco (que começou com “What You Want”, parceria com a dupla Justice). E se lembrarmos que o disco ainda conta uma colaboração com o Soulwax… É bom irmos nos preparando…

Ouça abaixo:  

Dentro de Fear of Music

Mais sinais dos Talking Heads. Aproveitando a reunião de seus ex-integrantes no início desta semana para a celebração de um canal dedicado à banda lançado pela rádio via satélite Sirius XM, a gravadora Rhino acaba de anunciar mais uma caixa dedicada a um período da carreira do grupo liderado por David Byrne, que desta vez disseca o primeiro passo ousado do grupo, seu terceiro álbum Fear of Music. A caixa Fear of Music (Super Deluxe Edition) traz em três CDs (ou 6 LPs) o disco de 1979 com uma nova masterização, raridades e versões alternativas do álbum e a íntegra de dois shows em que o grupo tocava músicas do recém-lançado disco, no Berklee Performance Center no dia 24 de agosto do ano do lançamento e no Capitol Theatre, em Nova Jérsei, no dia 17 de novembro seguinte, além de um livro de 60 páginas com fotos inéditas e um texto escrito pelo crítico Will Hermes. O disco (já em pré-venda) será lançado no dia 13 de novembro e, para temperar o anúncio, a gravadora desenterrou um trecho do grupo tocando “Life During Wartime” na apresentação que fizeram no programa Old Grey Whistle Test.

Assista abaixo:  

Aphex Twin acústico!?

O quinteto francês Cabaret Contemporain especializou-se em fazer versões acústicas de clássicos da música eletrônica, mas nessa versão de “Polynomial C” do Aphex Twin eles se superaram…

Assista abaixo:  

Músicas inéditas do Songs in the Key of Life, do Stevie Wonder

Não bastasse pegar todo mundo de surpresa de uma vez só ao anunciar que levará seu clássico Songs in the Key of Life para mais uma rodada de shows pelo hemisfério norte ainda este ano, Stevie Wonder guardou outra maravilha para a semana de aniversário deste que é um dos maiores discos já feitos e uma das grandes obras-primas do século 20 – e não estou só falando de música. “Vivemos com as canções de Songs in the Key of Life por 50 anos, mas ainda há muito a ser ouvido”, disse o próprio gênio ao anunciar um EP com quatro faixas inéditas gravadas durante a ebulição criativa deste disco no estúdio. “Não incluímos estas músicas no disco, mas elas fazem parte do que eu estava sentindo e descobrindo enquanto as fazia. Elas me trazem de volta para aquele período da minha vida e agora elas farão parte da de vocês.” O disco abre com a funky “It’s Easier”, passa pela apaixonada “My Life Story of Love”, segue com a belíssima balada “I Can See the Sun in Late December” e fecha com a groovezeira de “I’m Into Livin’”, talvez a melhor do pacote. É o segundo EP acrescido ao disco original – o primeiro, batizado de A Something’s Extra, veio junto com a edição do disco duplo original, com as faixas “Saturn”, “Ebony Eyes”, “All Day Sucker” e “Easy Goin’ Evening (My Mama’s Call)” que todos hoje entendem como as quatro últimas faixas do disco (que, na verdade, encerra-se com “Another Star”). E pelo jeito que ele falou, não duvide nada se Stevie vier com outras surpresas pelo percurso (eu só queria esse show no Brasil…).

Ouça Songs in the Key of Life: The EP abaixo:  

Chocolate and Cheese ao vivo… em 14 CDs!

O grupo Ween começou a abrir seus arquivos e acaba de anunciar a caixa Boognish Provides, que reúne 14 shows que a clássica dupla indie fez entre outubro de 1994 e junho de 1995, quando fizeram uma longa turnê pelos EUA tocando as músicas de seu então recém-lançado álbum, o colossal Chocolate and Cheese. A caixa conta com 14 CDs com material deste período, que também ressurge numa versão com os melhores momentos num vinil duplo. Anunciada pela ótima gravadora Rhino para o próximo dia 16, a caixa traz shows em que, além dos fundadores Aaron “Gene Ween” Freeman and Michael “Dean Ween” Melchiondo, a banda ainda contava com o baixista Andrew Weiss e o baterista Claude Coleman. E para mostrar a seriedade do material, a primeira música da caixa a aparecer é uma versão de 24 minutos de “Vallejo”, gravada no 40 Watt Club, em Athens, na Geórgia estadunidense. Ouça abaixo:  

Mogwai ♥ Iggy Pop

O Mogwai já começou seu 2027 ao anunciar o lançamento da coletânea Happy Tears no dia 8 do primeiro mês do ano que vem, que chega tanto no formato simples (em CD, duplo em vinil) quanto duplo (em CD, quádruplo em vinil) e traz uma música inédita que o grupo escocês lançou para anunciar o novo disco, quando convocou o mestre Iggy Pop para os vocais do single inédito “Underground”. “Eu sou um robô e estou infeliz”, o velho stooge deixa seu timbre grave dar o tom da nova música, “eu fui desenhado pra fazer dinheiro, mas eu quero fazer amor”. “Ouvir a primeira banda de Iggy, os Stooges, foi um momento transformador para mim”, escreveu o líder da banda Stuart Braithwaite em sua autobiografia Spaceships Over Glasgow: Mogwai, Mayhem and Misspent Youth. “O álbum homônimo deles era praticamente a minha bíblia. Era uma música chapada, tosca e completamente visceral. Eu nunca tinha ouvido nada parecido e, embora a banda praticamente tivesse acabado antes mesmo de eu nascer, passei a amar os três álbuns dos Stooges mais do que qualquer outra música que eu já tivesse ouvido. Foram meus professores de guitarra, Harry, quem me apresentou o som deles, me tocou Raw Power e fiquei atordoado: ‘A força bruta tem uma mão que cura / a força bruta pode destruir um homem!’ Eu não fazia a menor ideia do que era essa força bruta do título (e ainda não faço), mas amava a sonoridade daquilo e sabia que precisava ter o máximo possível dessa energia em minha vida. Iggy era a personificação viva daquela atitude de total desprezo por tudo e por todos. As guitarras estridentes e os ritmos primitivos faziam todo o sentido para mim. Eu estava fascinado por tamanha intensidade e ferocidade. Era perfeito.” A paixão da banda escocesa por Iggy vem desde sempre e sua obra-prima Come On Die Young, de 1999, abre com a música “Punk Rock”, em que o grupo musica um trecho de uma entrevista clássica do stooge nos anos 70. A coletânea já está em pré-venda.

Ouça abaixo:  

Tony Iommi a serviço do Império Britânico

O papa do heavy metal Tony Iommi recebeu, nesta quinta-feira, a honraria cívica que o torna oficialmente um Membro do Império Britânico, exibindo a medalha (a mesma M.B.E. que os Beatles receberam nos anos 60 – e John Lennon devolveu anos depois) em sua conta no Instagram. Comenda merecida, afinal com os riffs e canções que fez no Black Sabbath ele ampliou ainda mais a influência cultural inglesa no resto do mundo.

Envoltos pelo ruído

Ainda deu pra sair correndo e pegar o encontro de Negro Leo com Arrigo Barnabé dentro da Tecla Torta, nova série de shows de voz e piano da Casa de Francisca. Subvertendo todas as expectativas, a dupla preferiu deixar as canções reconhecíveis de lado e abraçar o improviso sônico desde o primeiro momento, quando Leo entrou no salão principal da casa desenrolando um tapete de plástico-filme para a entrada de Arrigo, ambos esticando e amassando o material para aumentar ainda mais o barulho de abertura – e assim, de cara, estavam envoltos pelo ruído. Depois Arrigo seguiu ao piano e Leo deixou o microfone de lado, preferindo comunicar-se por meio de LPs, que ia colocando na vitrola, sampleando pedaços de som, submetendo-os a loops que o maestro da Lira Paulistana acompanhava em seu instrumento ou vociferando trechos de textos: “Você pode gostar da ilusão, mas nunca do engano!” – só foi para a canção em um único momento, quando puxou sua “Noite Torta”. A apresentação terminou como começou, com os dois recolhendo os metros de plástico-filme que espalharam no palco e saindo ruidosamente como entraram. O público clamou por um bis que cedeu à canção e à voz, com Arrigo puxando sua música-símbolo “Clara Crocodilo” com vocais de cantoras que estavam na plateia, como Maria Beraldo, Iara Rennó, Anna Vis, Juliana Perdigão e Jadsa, que ainda emendaram com “Rela”, faixa-título do disco mais recente de Leo.

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