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Gui Amabis: 20 anos de carreira

Depois da bem-sucedida temporada que fez com Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro, Marcelo Fagge, do Mamãe, propõe uma segunda leva de shows de um mesmo artista agora no mês de agosto, quando recebe Gui Amabis todas as quintas-feiras para celebrar seus 20 de carreira, começada quando o projeto Sonantes – que contava com Céu e o grupo 3 Na Massa na formação – lançou sua primeira composição, chamada “Miopia”. Para comemorar a efeméride, Gui recebe novos e velhos parceiros em ordem aleatória nos dias 6, 13, 20 e 27 deste mês, com luz assinada pela impressionante Mau Schramm e cenografia feita por Keila Alaver. Entre os convidados da temporada, que serão apresentados a cada dia como surpresa, estão nomes como Juçara Marçal, Giovani Cidreira, Thiago França, Regis Damasceno, Manuela Julian, Matheus Fazendo Rock e Zé Ruivo. Durante a temporada, Gui mostrará algumas músicas de seu próximo álbum.

Uma tradição erudita que torna-se popular

Quando Vítor Araújo dirigiu-se ao público do Sesc Pinheiros no segundo dia da temporada que fez de seu disco Toró neste fim de semana, mostrou-se emocionado ao lotar o teatro Paulo Autran por três noites seguidas e comparou a emoção com a de encher um estádio de futebol. Ao materializar seu disco (originalmente gravado com a Metropole Orkest holandesa em Amsterdã) ao lado da Orquestra de Câmara da ECA-USP neste fim de semana, Vítor subiu o sarrafo de uma tradição secular brasileira – que une a dita música clássica à canção popular brasileira num cânone que reúne compositores como Heitor Villa-Lobos, Antônio Carlos Jobim, Moacir Santos, Eumir Deodato, Arthur Verocai e Rogério Duprat. Ainda não chegou à estatura destes mestres, mas atingiu um feito que, antes de completar 40 anos, atinge um público cada vez maior. Enquanto seus antecessores azeitavam a própria mistura com elementos sinfônicos, jazzísticos, pontos de macumba ou vanguardas eruditas, Vítor deixa evidente a influência do Radiohead, seja ao cantarolar vocalises em falsete, seja nas texturas eletrônicas que surgem vez por outra – referência coerente com sua primeira aparição como prodígio da música de concerto tocando “Paranoid Android” ao piano ainda adolescente, há quase 20 anos. Conta com a percussão pernambucana como arma secreta de seu concerto, a cargo dos compadres Homero Basílio e Amendoim, e nesta apresentação, a participação ilustre do baiano Luizinho do Jêje. Completam sua banda o guitarrista da banda Baleia Felipe Pacheco Ventura e o conterrâneo baterista Arquétipo Rafa. No meio da noite puxou a delicada “Toque nº 4”, feita para sua mãe, à presença da própria, em outro momento emocionante, emendando-a com a forte “Toque nº 6”, que mostra que o Sesc Pinheiros não é o estádio que ele pode lotar (antes disso temos vários Teatros Municipais clássicos pelo Brasil), mas que já planta a semente para, quem sabe um dia, levar sua música a multidões ainda maiores. Ele já tem o que precisa para isso, é só dar tempo ao tempo.

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A volta do Elastica!?

“Tão com saudade?”, perguntou ninguém menos que o Elastica, donas do meu disco favorito do britpop, num post inesperado nesta sexta-feira, anunciando sua volta 25 anos depois de terem pendurado as chuteiras. “Estávamos ocupadas trabalhando nos bastidores, mas estamos de volta. Mantenham os olhos abertos, temos coisas empolgantes sendo trabalhadas.” Só vem!

Olivia Rodrigo ♥ Smashing Pumpkins

Além da Charli XCX, os Smashing Pumpkins eram o outro grande nome desta sexta-feira no Lollapalooza de Chicago, nos EUA, que aproveitaram a oportunidade para trazer novos convidados para o palco. Entre veteranos como a ex-baixista da banda Melissa Auf Der Maur (que encerrou a apresentação da banda, tocando “The Everlasting Gaze”) e novatos como o jovem inglês Yungblud (que dividiu os vocais de “Luna”, do primeiro disco da banda), a grande surpresa da apresentação ficou por conta da sensação Olivia Rodrigo, que o líder dos Pumpkins Billy Corgan chamou para o palco para dividir uma versão acústica de “Thirty-Three”. E assim os Pumpkins entram para o panteão pessoal de ícones do rock alternativo com quem a jovem já dividiu o palco, ao lado de Robert Smith, David Byrne e do Weezer. Nada mal, senhorita Olivia…

Assista abaixo:  

Todo o show: Charli XCX no Lollapalooza, em Chicago (31.7.2026)

“Esquecimento é liberdade”: assim Charli XCX começou o primeiro grande show de seu disco Music Fashion Film, repetindo a única frase do monólogo de David Cronenberg que encerra o disco antes de atacar o público com uma versão ainda mais crua e pesada de “Rock Music” ao encerrar a noite de sexta-feira do Lollapalooza em Chicago, nos EUA. Depois de três shows de pequeno porte e curta duração e uma aparição-surpresa do show de Lorde no mesmo festival no dia anterior, Charli mostrou que tem fôlego para dominar um segundo verão no hemisfério norte em uma escala ainda maior – e sem renegar seu passado. Enquanto nos shows anteriores, ela deixou apenas “Apple” do disco-fenômeno Brat, no novo show ela dedica toda uma sessão a seu disco de 2024 (e com escolhas acertadas e improváveis, como “Sympathy is a Knife” e “Club Classics”), além de puxar músicas de vários discos anteriores (com “Party 4 U” e “Pink Diamond” do How I’m Feeling Now, “Track 10” do Pop 2 e duas da trilha sonora da versão deste ano do Morro dos Ventos Uivantes, que ela fez a trilha). Mas o disco novo dá não só a tônica da noite toda (com dez faixas, inclusive os lados B “Playboy Bunny” e a fantástica “If You Take Away the Music Then What Has She Got?”) como pautam inclusive a estética monocromática e com exageros típicos de um show de rock (com fogos e dançarinas). Charli está cada vez mais confiante no palco (cancha que ela dominou na turnê de Brat e agora leva a outro patamar) e tudo indica que vai crescer ainda mais para consolidar-se no primeiro escalão do pop mundial. Muito foda.

Assista abaixo:  

Nick Cave ♥ Kylie Minogue

Em sua apresentação na cidade inglesa de Brighton nesta sexta-feira, Nick Cave convidou Kylie Minogue para o palco com seus Bad Seeds para revisitar seu imortal dueto “Where The Wild Roses Grow”, lançado originalmente em 1995 que os dois não tocavam juntos desde 2018 em um show da banda em Londres. Emocionante.

Assista abaixo:  

𝐀𝐠𝐨𝐫𝐚 𝐀𝐠𝐨𝐫𝐚: 𝐌𝐮𝐬𝐢𝐜 𝐅𝐚𝐬𝐡𝐢𝐨𝐧 𝐅𝐢𝐥𝐦 @ Mamãe Bar (31.7)

O que está acontecendo agora? Alexandre Matias e Rafaela Fernán juntam suas perspectivas para criar uma festa que traz as atualidades para a pista de dança do Mamãe, sempre explorando o tema da edição para além de seus desdobramentos inevitáveis. A festa chama-se Agora Agora e o tema da primeira, que acontece nesta sexta-feira 31 de julho, é o novo disco de Charli XCX: Music, Fashion, Film.

Mas além de mergulhar no novo lançamento, seus lados Bs e influências, vamos também falar sobre música, moda e cinema, o contexto em que Charlotte Emma Aitchison surgiu, sua evolução musical, sua fases Brat e cinematográfica para cair no 2026 deste disco que abalou as estruturas do pop deste ano.

Traje sugerido: p&b.

𝐀𝐠𝐨𝐫𝐚 𝐀𝐠𝐨𝐫𝐚: 𝐌𝐮𝐬𝐢𝐜 𝐅𝐚𝐬𝐡𝐢𝐨𝐧 𝐅𝐢𝐥𝐦
sexta-feira, 31 de julho de 2026, a partir das 21h

🕯️@mamaebar rua lopes chaves 391 / barra funda

ᴇɴᴛʀᴀᴅᴀ ꜰʀᴇᴇ ᴀᴛé 𝟤𝟤ʜ ༻*ੈ✩‧₊˚
retire seu ingresso online via sympla (neste link)

✩ foto e cartaz @faelafernan

Essa música desconhecida chamada “Little Girl”

Começam a aparecer as primeiras informações sobre a música inédita de John Lennon que aparecerá na caixa de Rubber Soul. Solta entre as demos e takes alternativos das músicas do álbum de 1965, “Little Girl” foi listada apenas como “demo de John”, sem maiores informações sobre seu registro nem de sua natureza, o que fez muitos cogitar ser uma versão anterior de “Run for Your Life” – que cita o nome desta outra canção mais de uma vez no refrão – ou uma variação de “Hello Little Girl”, primeira canção que Lennon lançou como assinada pela dupla Lennon/McCartney, que esteve na infame audição do grupo na gravadora Decca e que depois foi regravada pelos conterrâneos Fourmost e Gerry & The Pacemakers. Mas em entrevista a Rob Sheffield da revista Rolling Stone, o produtor Giles Martin (filho do produtor dos Beatles, Sir George, e atual responsável pela produção fonográfica ligada ao grupo) disse que a música surgiu dos arquivos de John Lennon, trazida por seu filho Sean, e que ninguém tem certeza de quando foi gravada. O jornalista pode ouvir a música e a descreve como uma canção de Buddy Holly que ecoa a sonoridade de “I’m Only Sleeping” e confirma que é uma canção inédita de fato, tão surpreendente quanto a demo de “Yellow Submarine” que surgiu na edição especial do Revolver e os quatro beatles cantando “Good Night” na caixa do Álbum Branco.

Uma trilha sonora composta por Lee Ranaldo

Nosso velho compadre Lirra acaba de lançar mais um disco solo, desta vez a trilha sonora para o filme The System, dirigido pelo holandês Joris Postema. E embora venha rotulado como um disco experimental não chega perto da avalanche de noise que Lee Ranaldo fazia no Sonic Youth e conversa mais com sua carreira solo depois do fim da banda clássica, quando usa temas instrumentais plácidos e esparsos como motivo para tocar com músicos que conhece na estrada. E assim é este novo disco, que tem músicas com a violoncelista franco-americana Leila Bordreuil, com o guitarrista israelense Yonatan Gat (outro velho conhecido do Brasil), o produtor espanhol Raül Refree (com quem inclusive dividiu um disco, Names of North End Women, de 2019), o baterista húngaro Balazs Pandi e o cineasta americano Jim Jarmusch (tocando guitarra, pedais e sintetizador de midi), entre outros. O disco já pode ser ouvido nas plataformas digitais, mas seu lançamento acontece oficialmente no dia 2 de outubro, quando a versão física (já em pré-venda) chega para o público.

Ouça abaixo:  

Vem Rubber Soul!

Era isso aí, a tão aguardada caixa do Rubber Soul dos Beatles surge em nosso horizonte quase como uma miragem e cheia de extras, entre versões anteriores de várias músicas, duas demos (uma do Paul e a outra do John, esta última chamada “Little Girl” que pode ou não ser uma versão inicial de “Run for Your Life”), o disco em nova versão stereo e em versão mono, além da versão do disco lançada nos EUA, com música do Help! e do single que lançaram separadamente no Reino Unido (o duplo lado A “Day Tripper” com “We Can Work It Out”) e, na versão mais completa da caixa, um livro de 88 páginas com prefácio escrito por John Lennon e introdução escrita por Paul McCartney, fotos inéditas, informações aprofundadas sobre a gravação do disco, anotações sobre as faixas, dois pôsteres e duas reproduções de fotos exclusivas. A caixa chega para nós no dia 2 de outubro e como aperitivo eles mostraram o primeiro take de gravação de “Michelle”, que é simplesmente impecável. Mas ninguém falou nada sobre o Help!… ainda.

Veja o trailer e a cara do novo box, ouça a nova versão de “Michelle” e confira a relação com todas as músicas da caixa abaixo: