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A fantástica Jocy de Oliveira vence o In Edit 2026

Muito honrado de ter sido convidado para o júri desta edição do festival de documentários In Edit, quando participei da comissão julgadora ao lado do cineasta Joel Zito Araújo e da produtora executiva da Casa de Cinema de Porto Alegre Nora Goulart, e muito feliz de termos escolhido o espetacular Universo Circular, que o diretor Dácio Pinheiro fez sobre a maga Jocy de Oliveira, uma das pessoas mais importantes da música brasileira do século passado (e além, pois ela segue viva e em ação), que não é tão conhecida ou reconhecida por ser pioneira da música eletrônica e provocadora da música erudita contemporânea. Além de termos escolhido este filme como o melhor do festival, ainda demos menção honrosa para o fantástico Vivo 76, em que Lírio Ferreira conta como Alceu Valença encontrou seu rumo artístico ao conhecer o cerne da psicodelia pernambucana na gravação de um disco ao vivo, e demos destaque para o urgente Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan, que funciona como alerta para o fascismo institucional que ainda paira sobre a cultura do Brasil desta década. Muito filme bom! Abaixo, o texto que fizemos para os filmes selecionados desta edição e o trailer do filme vencedor, que foi reexibido neste domingo em sessão lotada na Cinemateca:  

O raio X de Virgin da Lorde

Lorde comemorou um ano de seu Virgin disponibilizando 49 demos e versões alternativas (além de fotos aleatórias do período de gravação) em um site chamado XRAYS, prometendo inclusive lançar estas novas gravações em um novo formato digital. Ela aproveitou o aniversário do disco para falar sobre o processo de gravação do álbum, que não pode traduzir em palavras à época do lançamento, e como ele mexeu com sua vida num longo texto em sua newsletter. “Eu usava um jeans masculino e um moletom preto com capuz e zíper todos os dias, não importava o clima”, escreveu a cantora neozelandesa. “Minhas espinhas formavam uma barba espessa que descia pelo pescoço, eu me sentia monstruosa e sagrada (…) Concentrei-me em cantar para mim mesma da maneira como precisava que cantassem para mim. Aos poucos, fui dando música e palavras a histórias antigas que eu tinha medo de contar. As expulsei de dentro de mim e me senti mais leve. Viver nessas canções teve um efeito de encantamento. Senti-me mudar. O disco Brat surgiu, um sistema climático de ousadia e fragilidade. Minha fase incipiente tornou-se, de repente e de forma impactante, algo externo. Tive de encarar de verdade as minhas questões e manter-me aberta. Charli me manteve por perto e me deu a medida certa de espaço — isso exige carinho de verdade. Minha fé na música como tecnologia social foi restaurada. Nas festas e festivais, eu fumava, cantava e me sentia parte da raça humana.” Leia abaixo a íntegra do texto sobre o disco, que também pode ser ouvido a seguir:  

Wilco ♥ Gang of Four

Ainda no Solid Sound, o capitão do Wilco não poderia deixar escapar a oportunidade de tocar com seus ídolos do Gang of Four e num dado momento da nova versão da banda – que agora conta com os fundadores Jon King e Hugo Burnham e os novatos Gail Greenwood (sim, aquela que tocou no L7 e no Belly) e Ted Leo -, Jeff Tweedy subiu no palco para rugir sua guitarra em “Anthrax”, num belo tributo ao saudoso Andy Gill…

Assista abaixo:  

Bad Bunny ♥ Gorillaz

Depois de receber um mar de convidados no show dos Gorillaz no fim de semana passado, foi a vez do homem gorillaz Damon Albarn ser convidado para o show que o portorriquenho Bad Bunny fez neste sábado no mesmo estádio Tottenham Hotspur em Londres que a banda de desenho animado do líder do Blur lotou na semana passada. E além de cantarem juntos a faixa “Tormenta” que teve a participação de Benito no disco Cracker Island que os Gorillaz lançaram em 2023, os dois se juntaram para cantar o que o MC chamou de “minha música favorita de todos os tempos”, o reggae “Clint Eastwood”.

Assista abaixo:  

Vanishing Point, XTRMNTR e Evil Heat: eis a trilogia Bunker do Primal Scream

“Desconfiávamos do partido trabalhista e de suas políticas neoliberais que agiam como um cavalo de Tróia, e fomos visionários ao prever o ressurgimento do fascismo, do militarismo e do imperialismo no século 21”, explica Bobby Gillespie, líder do Primal Scream, sobre o final dos anos 90 da banda, quando lançaram três discos que hoje recuperam como “a trilogia do Bunker”, que está sendo relançada em edição ampliada. “Os álbuns que constituem a trilogia Bunker eram a antítese absoluta de tudo o que acontecia na música do Reino Unido nos anos 90”, continua o vocalista da banda escocesa. “Fazíamos pop e rock experimentais, agressivos e sem concessões, com letras sobre desorientação psíquica, vício, alienação, depressão e questionamentos sobre a nossa própria existência e de documentar o lado sombrio e sórdido da cultura jovem britânica. Enquanto o restante da cena musical e cultural do Reino Unido se apaixonava por si mesma — convencidos de sua própria genialidade, afundados em uma orgia de narcisismo e cocaína e em um estado permanente de autocelebração —, nós, que havíamos vivido momentos de pensamento utópico no início da década, sentíamos agora profunda aversão por nós mesmos e pelo mundo”. Assim Gillespie se refere aos discos Vanishing Point, XTRMNTR e Evil Heat, todos gravados no estúdio que a banda tinha no norte de Londres, que batiza o nome desta fase, que será lançada em novas edições aos poucos (todos já em pré-venda): no dia 7 de agosto aparece a nova versão para o disco de 1997, no dia 4 de setembro vem a versão expandida para o disco do ano 2000 e finalmente o disco de 2002 vem inteiro no dia 30 de outubro. As reedições vêm em CD, vinil e trazem os remixes, lados B lançados pela banda neste periodo e até faixas inéditas. A versão em vinil do box da trilogia ainda vem com um 12 polegadas do single “If They Move Kill Em”. “Nunca fomos ‘britpop’ — queríamos queimar a bandeira, não agitá-la” – confira a ordem das músicas de cada reedição abaixo:  

Foo Fighters ♥ Beatles

Os Foo Fighters passaram por Liverpool, na Inglaterra, neste fim de semana, e resolveram fazer um agrado para os conterrâneos dos Beatles tocando, pela primeira vez ao vivo, a época “I Want You (She’s So Heavy)” protodoom metal que encerra o lado A de Abbey Road. Ficou massa, diz aí:  

Todo o show: Wilco e Billy Bragg ao vivo no Solid Sound (26.6.2026)

O Wilco começou seu próprio festival (o já clássico Solid Sound, realizado no Museu de Arte Contemporânea de Massachusetts, nos EUA) nesta sexta-feira e abriu com um show histórico, quando tocou pela primeira vez ao vivo as canções que compuseram ao lado do bardo inglês Billy Bragg sobre letras de canções que o papa da canção de protesto daquele país, Woody Guthrie, havia deixado incompletas. O projeto Mermaid Avenue foi iniciado com um álbum de mesmo nome em 1998 e depois com um segundo volume dois anos depois, mas nunca havia sido tocado no palco – até essa sexta-feira, quando a banda não apenas recebeu seu parceiro – que não parava de sorrir o show inteiro -, como também teve outros convidados, como os cantores Liam Kazar, Macie Stewart, Sally Timms e John Langford, mas a participação mais especial da cantora Natalie Merchant, que participou do disco original e cantou “Way Over Yonder in the Minor Key”, “Birds and Ships” e “Hoodoo Voodoo”. Não bastasse tudo isso, o grupo ainda puxou um bis com a bela “California Stars” antes de puxar um hino do próprio Guthrie, “This Land is Your Land”, que contou com a participação de outras bandas que também tocaram no festival, como Gang of Four, os Mekons e alguns integrantes da família de Woody, como sua filha Nora (responsável pela realização dos discos Mermaid Avenue) e sua neta Sarah Lee. E sabendo que isso aconteceu no meio da derrocada do governo Trump tem um sabor ainda melhor. Não consegui encontrar os vídeos de todo o show, mas tem mais de 90% do que foi tocado na sexta abaixo:  

16 shows do Joy Division!

Vem aí um tratado sobre o grupo Joy Division ao vivo para comemorar o cinquentenário do lendário grupo pós-punk inglês. O lançamento da caixa de discos Eternal está previsto para o dia 25 de setembro e o pacote inclui material de 16 shows da banda liderada por Ian Curtis reunidos em 14 CDs e dois DVDs com duas horas e meia de imagens do grupo ao vivo, além de uma nova edição do clássico documentário Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, lançado em 1979, e um encarte com texto escrito pelo poeta e dramaturgo inglês Simon Armitage e fotos de Anton Corbijn e Kevin Cummins, entre outros. Além de oficializar vários registros piratas conhecidos dos fãs (como o último show da banda no High Hall em Birmingham, em 1980, na única vez que o grupo tocou “Ceremony”), a caixa ainda traz dois shows inéditos em Londres, no Hope & Anchor (no dia 1ª de março de 1979, gravado por um fã) e no Acklam Hall (no dia 17 de maio do mesmo ano, também gravado do público), além de gravações novas e melhores feitas dos shows na Factory em Manchester (dia 13 de julho de 1979), no Lyceum em Londres (dia 29 de fevereiro de 1980) e no Moonlight Club também em Londres (dia 2 de abril de 1980). Para atiçar a expectativa dos fãs sobre a caixa (já em pré-venda), foi lançado um primeiro single, a versão ao vivo para “Transmission” gravada ao vivo no Les Bains Douches, em Paris, no dia 18 de dezembro de 1979. Ouça o single, veja a ordem das músicas e a cara da caixa abaixo:  

Bob Dylan sempre em movimento

Bob Dylan segue se movimentando. Ele acabou de completar 85 anos e aos poucos está mudando sua atual turnê enquanto a percorre, como se trocasse o pneu com o carro em movimento. Primeiro trocou pela primeira vez o nome da excursão, antes chamada Rough and Rowdy Ways Tour por conta de seu disco mais recente, lançado em 2020, e que era a base do show, e que agora foi rebatizada para Long Hot Summer Tour, cuja inspiração pode ter vindo do filme de 1958 de Martin Ritt (inspirado em um romance de William Faulkner, com Paul Newman, Joanne Woodward e Orson Welles no elenco e batizado no Brasil de O Mercador de Almas) ou do próprio aquecimento global que derrete o hemisfério norte neste 2026. A mudança no título mexeu com o setlist das apresentações, quando Dylan diminuiu o número de músicas de Rough and Rowdy Ways para desenterrar pérolas das Basement Tapes que gravou com a The Band no final dos anos 60. A principal mudança, no entanto, aconteceu há pouco, quando substituiu, sem anúncios nem comentários, o guitarrista Doug Lancio, com quem vinha tocando desde 2021, pelo jovem prodígio do jazz Julian Lage, que, embora não tenha sido oficialmente efetivado na banda, proporcionou outra mudança no repertório, quando Dylan trouxe alguns de seus clássicos, como “All Along the Watchtower”,“When I Paint My Masterpiece” e a recente inclusão de “I Shall Be Released”, como se estivesse testando o novato antes de jogá-lo em suas músicas mais densas. E isso quer dizer que ele está aprontando alguma…

Assista-o tocando All Along the Watchtower na apresentação que fez no Rady Shell, em San Diego, no último dia 21, já com Lage (à esquerda do palco) na guitarra:  

A origem do design Brat

O designer Brent David Freaney explicou que por trás do minimalismo na cara do design do disco Brat, que criou ao lado de Charli XCX há dois anos, há uma filosofia em que acredita que não existe um estágio final na criação. Fundador da agência Special Offer, ele falou sobre a criação do conceito visual do disco de 2024 na conferência que deu na Config, convenção organizada pela plataforma de imagens digitais Figma neste fim de semana em São Francisco, nos EUA, e reforçou o quanto a força criativa de um produto reside muito mais no momento de ter de criá-lo do que no resultado final.

Assista à toda conferência abaixo: