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Sofia Freire: Traquitanas

Imenso prazer em receber pela primeira vez no palco do Centro da Terra a pernambucana Sofia Freire, que apresenta um espetáculo solo ao lado dos instrumentos eletrônicos que comanda e que batizam esta apresentação. Traquitanas é um show em que a cantora, compositora, musicista e produtora mostra o repertório de seus mais de dez anos de carreira experimentando um formato com o qual irá passear mais uma vez pela Europa, dessa vez sem o acompanhamento de outros músicos. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Um clássico do Aphex Twin relançado num box set

Outro disco aniversariante está prestes a receber o tratamento de luxo ao ser relançado como uma caixa com novo tratamento sonoro. Drukqs, primeiro disco que o produtor Aphex Twin lançou depois de um hiato de cinco anos, após ter lançado seu disco Richard D. James em 1996. Como a maioria de seus discos, Drukqs, lançado em outubro de 2001 (um mês após o traumático 11 de setembro), pegou a todos desprevenidos, principalmente por ter demorado tanto tempo para sair. E entre os diferentes novos clássicos da música eletrônica de vanguarda lançados naquele álbum, estava uma faixa cuja reputação só cresce com o tempo – uma releitura da sonoridade de Erik Satie chamada “Avril 14th” que é uma de suas canções mais reconhecíveis (se você conhece sabe do que estou falando). O disco talvez demorasse mais tempo para sair, não fosse o fato de Richard ter perdido um MP3 player com cerca 180 faixas inéditas num voo e isso tenha o tornado paranoico com a possibilidade de cair na internet, o que não aconteceu. A nova edição do disco sai no dia 30 de outubro (e já está em pré-venda) em diferentes formatos: como uma caixa com quatro discos de vinil, um CD duplo com um encarte com oito páginas ou em cassete duplo. A edição mais cara conta com um pôster e um estêncil com o clássico logo do produtor.

60 anos do primeiro clássico de Zappa

Um dos primeiros discos duplo da fase de ouro do rock dos anos 60 completa 60 anos neste 2026 e ganha uma reedição daquelas. Freak Out!, disco de estreia do grupo Frank Zappa & The Mothers of Invention, será relançado numa edição que traz nada menos do que 105 novas mixagens, músicas ao vivo e outras raras e nunca lançadas (como essa mixagem original “Hungry Freaks, Daddy”, lançada nesta terça-feira, junto com o anúncio do disco, já em pré-venda) num pacote cuja edição mais parruda conta com cinco CDs, um blu-ray, além de um libreto com 26 páginas com fotos raras e ensaios sobre o álbum, além de um mapa de Hollywood desenhado pelo próprio Zappa. O disco inaugura oficialmente a carreira fonográfica do músico dos EUA que já vinha trabalhando com música desde o início dos anos 60, mas só devido à onda da contracultura da costa oeste de seu país conseguiu um contrato para lançá-lo. Zappa só não conseguiu lançar o primeiro disco duplo de sua geração porque uma semana antes Bob Dylan abriu essa picada com outro clássico (que também merecia uma caixa com sobras e extras), Blonde on Blonde.

Ouça a íntegra de “Hungry Freaks, Daddy” e veja a ordem de todas as músicas do disco abaixo:  

Vôo solo

João Denovaro colocou suas próprias canções para além de sua terra no início da programação de música de agosto no Centro da Terra, quando abriu o mês nesta segunda mostrando seu espetáculo Circunstâncias Inacreditáveis. Ele começou a noite sozinho no palco, alternando entre o violão e a guitarra, e aos poucos convidando diferentes amigos que tornaram menos autocentrado seu vôo solo para além dos palcos soteropolitanos. O baixista do Tangolo Mangos contou com a presença de dois compadres de banda – o percussionista Bruno Fechine, que neste show tocou violão, e o guitarrista Felipe Vaqueiro – que vieram em momentos diferentes da noite para voltar no tempo e no início de suas amizades, tocando canções com mais de dez anos de existência (ou mais ainda, ao evocar a jovemguardística “Diana”), além de músicas de seu próprio conjunto. As participações da noite foram encerradas com a presença da vocalista dos Pelados Manu Julian, que foi acompanhada por Deno em sua própria “E Aí, Beleza?”. Mas quando estava sozinho no palco é que o músico encontrava sua essência para além dos Tangolo Mangos, seja fazendo o público repetir como um coral um refrão que não conhecia ou transformando uma URL de internet em base rítmica para desdobrar uma questão afetiva sobre venda de merchandising de artista (em uma espécie de mutação século 21 para o “Jingle do Disco” do conterrâneo Tom Zé), sempre usando seu instrumento como arma e escudo ao mesmo tempo, seja em riffs frenéticos, em solos assertivos ou em harmonias precisas.

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João Denovaro: Circunstâncias Inacreditáveis

Imensa satisfação em receber em São Paulo pela primeira vez o espetáculo solo do baiano João Denovaro no palco do Centro da Terra. O baixista e vocalista dos Tangolo Mangos apresentou-se sozinho apenas duas vezes em sua cidade-natal e agora vem para o palco paulistano apresentar o espetáculo intimista Circunstâncias Inacreditáveis, quando convida seu colegas de banda Felipe Vaqueiro e Bruno Fechine para participações na apresentação. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Tom Waits e a mosca

Três meses depois de seu lançamento físico, o poema “The Fly” de Tom Waits que foi parar no lado B de sua intensa colaboração com o Massive Attack (“Boots to the Ground”, primeira música inédita de Waits desde 2011), chega às plataformas de streaming. Poema declamado com a inconfundível voz de Waits, versa sobre a onipresença da mosca em nossas vidas a ponto de fazer nos comparar ambas, a música está disponível inclusive no Spotify, onde o Massive Attack não publicou a parceria com Waits como forma de protesto contra a plataforma. E junto com o lançamento digital da música, veio também um clipe meio lyric-video feito por Casey X. Waits, filho de Tom.

Assista ao clipe abaixo:  

King Gizzard & the Lizard Wizard em modo rave

Mais um gostinho do próximo disco do King Gizzard & the Lizard Wizard, em que o grupo psicodélico mergulha de cabeça na eletrônica de pista de dança. Depois de mostrar a sinistra “Level 5”, agora é a vez de mostrar a faixa-título do próximo disco – e “Alien Metal” soa tão alienígena e pesada – embora não pros lados do gênero heavy metal e sim dos metais pesados da química – quanto seu título faz parecer.

Ouça abaixo:  

Gui Amabis: 20 anos de carreira

Depois da bem-sucedida temporada que fez com Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro, Marcelo Fagge, do Mamãe, propõe uma segunda leva de shows de um mesmo artista agora no mês de agosto, quando recebe Gui Amabis todas as quintas-feiras para celebrar seus 20 de carreira, começada quando o projeto Sonantes – que contava com Céu e o grupo 3 Na Massa na formação – lançou sua primeira composição, chamada “Miopia”. Para comemorar a efeméride, Gui recebe novos e velhos parceiros em ordem aleatória nos dias 6, 13, 20 e 27 deste mês, com luz assinada pela impressionante Mau Schramm e cenografia feita por Keila Alaver. Entre os convidados da temporada, que serão apresentados a cada dia como surpresa, estão nomes como Juçara Marçal, Giovani Cidreira, Thiago França, Regis Damasceno, Manuela Julian, Matheus Fazendo Rock e Zé Ruivo. Durante a temporada, Gui mostrará algumas músicas de seu próximo álbum.

Uma tradição erudita que torna-se popular

Quando Vítor Araújo dirigiu-se ao público do Sesc Pinheiros no segundo dia da temporada que fez de seu disco Toró neste fim de semana, mostrou-se emocionado ao lotar o teatro Paulo Autran por três noites seguidas e comparou a emoção com a de encher um estádio de futebol. Ao materializar seu disco (originalmente gravado com a Metropole Orkest holandesa em Amsterdã) ao lado da Orquestra de Câmara da ECA-USP neste fim de semana, Vítor subiu o sarrafo de uma tradição secular brasileira – que une a dita música clássica à canção popular brasileira num cânone que reúne compositores como Heitor Villa-Lobos, Antônio Carlos Jobim, Moacir Santos, Eumir Deodato, Arthur Verocai e Rogério Duprat. Ainda não chegou à estatura destes mestres, mas atingiu um feito que, antes de completar 40 anos, atinge um público cada vez maior. Enquanto seus antecessores azeitavam a própria mistura com elementos sinfônicos, jazzísticos, pontos de macumba ou vanguardas eruditas, Vítor deixa evidente a influência do Radiohead, seja ao cantarolar vocalises em falsete, seja nas texturas eletrônicas que surgem vez por outra – referência coerente com sua primeira aparição como prodígio da música de concerto tocando “Paranoid Android” ao piano ainda adolescente, há quase 20 anos. Conta com a percussão pernambucana como arma secreta de seu concerto, a cargo dos compadres Homero Basílio e Amendoim, e nesta apresentação, a participação ilustre do baiano Luizinho do Jêje. Completam sua banda o guitarrista da banda Baleia Felipe Pacheco Ventura e o conterrâneo baterista Arquétipo Rafa. No meio da noite puxou a delicada “Toque nº 4”, feita para sua mãe, à presença da própria, em outro momento emocionante, emendando-a com a forte “Toque nº 6”, que mostra que o Sesc Pinheiros não é o estádio que ele pode lotar (antes disso temos vários Teatros Municipais clássicos pelo Brasil), mas que já planta a semente para, quem sabe um dia, levar sua música a multidões ainda maiores. Ele já tem o que precisa para isso, é só dar tempo ao tempo.

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A volta do Elastica!?

“Tão com saudade?”, perguntou ninguém menos que o Elastica, donas do meu disco favorito do britpop, num post inesperado nesta sexta-feira, anunciando sua volta 25 anos depois de terem pendurado as chuteiras. “Estávamos ocupadas trabalhando nos bastidores, mas estamos de volta. Mantenham os olhos abertos, temos coisas empolgantes sendo trabalhadas.” Só vem!