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Irmão Victor: 10 Anos de Passos Simples Para Transformar Gelatina Em Um Monstro

Imenso prazer de encerrar a safra de espetáculos de música no Centro da Terra este mês com a comemoração dos dez anos do primeiro disco do gaúcho Marco A. Benvegnú, que traz seu Passos Simples Para Transformar Gelatina Em Um Monstro para o palco do teatro com grande elenco. Equilibrando-se entre a psicodelia, o humor e a melancolia característicos do rock do Rio Grande do Sul com elementos extra como jazz de mentira, valsas e absurdo, o disco acompanhou sua mudança de Passo Fundo, no interior daquele estado, para a capital Porto Alegre. Nesta apresentação, ele conta com uma banda cheia de luminares da nova cena paulistana, como o baterista Theo Ceccato, a vocalista Manu Julian e o guitarrista Thales Castanheira, além da participação de Vicente Barroso (baixo), Jorge Zahar (clarone), Simone Julian (saxofone) e Max Huszar (vocais). O espetáculo começa pontualmente às 20h e ainda há ingressos à venda pelo site do Centro da Terra.

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Eis a D’Leesa

Olha essa sonzeira chamada “Healer” que a novíssima D’Leesa acabou de soltar…

Ouça abaixo:  

A fantástica Jocy de Oliveira vence o In Edit 2026

Muito honrado de ter sido convidado para o júri desta edição do festival de documentários In Edit, quando participei da comissão julgadora ao lado do cineasta Joel Zito Araújo e da produtora executiva da Casa de Cinema de Porto Alegre Nora Goulart, e muito feliz de termos escolhido o espetacular Universo Circular, que o diretor Dácio Pinheiro fez sobre a maga Jocy de Oliveira, uma das pessoas mais importantes da música brasileira do século passado (e além, pois ela segue viva e em ação), que não é tão conhecida ou reconhecida por ser pioneira da música eletrônica e provocadora da música erudita contemporânea. Além de termos escolhido este filme como o melhor do festival, ainda demos menção honrosa para o fantástico Vivo 76, em que Lírio Ferreira conta como Alceu Valença encontrou seu rumo artístico ao conhecer o cerne da psicodelia pernambucana na gravação de um disco ao vivo, e demos destaque para o urgente Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan, que funciona como alerta para o fascismo institucional que ainda paira sobre a cultura do Brasil desta década. Muito filme bom! Abaixo, o texto que fizemos para os filmes selecionados desta edição e o trailer do filme vencedor, que foi reexibido neste domingo em sessão lotada na Cinemateca:  

O raio X de Virgin da Lorde

Lorde comemorou um ano de seu Virgin disponibilizando 49 demos e versões alternativas (além de fotos aleatórias do período de gravação) em um site chamado XRAYS, prometendo inclusive lançar estas novas gravações em um novo formato digital. Ela aproveitou o aniversário do disco para falar sobre o processo de gravação do álbum, que não pode traduzir em palavras à época do lançamento, e como ele mexeu com sua vida num longo texto em sua newsletter. “Eu usava um jeans masculino e um moletom preto com capuz e zíper todos os dias, não importava o clima”, escreveu a cantora neozelandesa. “Minhas espinhas formavam uma barba espessa que descia pelo pescoço, eu me sentia monstruosa e sagrada (…) Concentrei-me em cantar para mim mesma da maneira como precisava que cantassem para mim. Aos poucos, fui dando música e palavras a histórias antigas que eu tinha medo de contar. As expulsei de dentro de mim e me senti mais leve. Viver nessas canções teve um efeito de encantamento. Senti-me mudar. O disco Brat surgiu, um sistema climático de ousadia e fragilidade. Minha fase incipiente tornou-se, de repente e de forma impactante, algo externo. Tive de encarar de verdade as minhas questões e manter-me aberta. Charli me manteve por perto e me deu a medida certa de espaço — isso exige carinho de verdade. Minha fé na música como tecnologia social foi restaurada. Nas festas e festivais, eu fumava, cantava e me sentia parte da raça humana.” Leia abaixo a íntegra do texto sobre o disco, que também pode ser ouvido a seguir:  

Wilco ♥ Gang of Four

Ainda no Solid Sound, o capitão do Wilco não poderia deixar escapar a oportunidade de tocar com seus ídolos do Gang of Four e num dado momento da nova versão da banda – que agora conta com os fundadores Jon King e Hugo Burnham e os novatos Gail Greenwood (sim, aquela que tocou no L7 e no Belly) e Ted Leo -, Jeff Tweedy subiu no palco para rugir sua guitarra em “Anthrax”, num belo tributo ao saudoso Andy Gill…

Assista abaixo:  

Bad Bunny ♥ Gorillaz

Depois de receber um mar de convidados no show dos Gorillaz no fim de semana passado, foi a vez do homem gorillaz Damon Albarn ser convidado para o show que o portorriquenho Bad Bunny fez neste sábado no mesmo estádio Tottenham Hotspur em Londres que a banda de desenho animado do líder do Blur lotou na semana passada. E além de cantarem juntos a faixa “Tormenta” que teve a participação de Benito no disco Cracker Island que os Gorillaz lançaram em 2023, os dois se juntaram para cantar o que o MC chamou de “minha música favorita de todos os tempos”, o reggae “Clint Eastwood”.

Assista abaixo:  

Vanishing Point, XTRMNTR e Evil Heat: eis a trilogia Bunker do Primal Scream

“Desconfiávamos do partido trabalhista e de suas políticas neoliberais que agiam como um cavalo de Tróia, e fomos visionários ao prever o ressurgimento do fascismo, do militarismo e do imperialismo no século 21”, explica Bobby Gillespie, líder do Primal Scream, sobre o final dos anos 90 da banda, quando lançaram três discos que hoje recuperam como “a trilogia do Bunker”, que está sendo relançada em edição ampliada. “Os álbuns que constituem a trilogia Bunker eram a antítese absoluta de tudo o que acontecia na música do Reino Unido nos anos 90”, continua o vocalista da banda escocesa. “Fazíamos pop e rock experimentais, agressivos e sem concessões, com letras sobre desorientação psíquica, vício, alienação, depressão e questionamentos sobre a nossa própria existência e de documentar o lado sombrio e sórdido da cultura jovem britânica. Enquanto o restante da cena musical e cultural do Reino Unido se apaixonava por si mesma — convencidos de sua própria genialidade, afundados em uma orgia de narcisismo e cocaína e em um estado permanente de autocelebração —, nós, que havíamos vivido momentos de pensamento utópico no início da década, sentíamos agora profunda aversão por nós mesmos e pelo mundo”. Assim Gillespie se refere aos discos Vanishing Point, XTRMNTR e Evil Heat, todos gravados no estúdio que a banda tinha no norte de Londres, que batiza o nome desta fase, que será lançada em novas edições aos poucos (todos já em pré-venda): no dia 7 de agosto aparece a nova versão para o disco de 1997, no dia 4 de setembro vem a versão expandida para o disco do ano 2000 e finalmente o disco de 2002 vem inteiro no dia 30 de outubro. As reedições vêm em CD, vinil e trazem os remixes, lados B lançados pela banda neste periodo e até faixas inéditas. A versão em vinil do box da trilogia ainda vem com um 12 polegadas do single “If They Move Kill Em”. “Nunca fomos ‘britpop’ — queríamos queimar a bandeira, não agitá-la” – confira a ordem das músicas de cada reedição abaixo:  

Foo Fighters ♥ Beatles

Os Foo Fighters passaram por Liverpool, na Inglaterra, neste fim de semana, e resolveram fazer um agrado para os conterrâneos dos Beatles tocando, pela primeira vez ao vivo, a época “I Want You (She’s So Heavy)” protodoom metal que encerra o lado A de Abbey Road. Ficou massa, diz aí:  

Todo o show: Wilco e Billy Bragg ao vivo no Solid Sound (26.6.2026)

O Wilco começou seu próprio festival (o já clássico Solid Sound, realizado no Museu de Arte Contemporânea de Massachusetts, nos EUA) nesta sexta-feira e abriu com um show histórico, quando tocou pela primeira vez ao vivo as canções que compuseram ao lado do bardo inglês Billy Bragg sobre letras de canções que o papa da canção de protesto daquele país, Woody Guthrie, havia deixado incompletas. O projeto Mermaid Avenue foi iniciado com um álbum de mesmo nome em 1998 e depois com um segundo volume dois anos depois, mas nunca havia sido tocado no palco – até essa sexta-feira, quando a banda não apenas recebeu seu parceiro – que não parava de sorrir o show inteiro -, como também teve outros convidados, como os cantores Liam Kazar, Macie Stewart, Sally Timms e John Langford, mas a participação mais especial da cantora Natalie Merchant, que participou do disco original e cantou “Way Over Yonder in the Minor Key”, “Birds and Ships” e “Hoodoo Voodoo”. Não bastasse tudo isso, o grupo ainda puxou um bis com a bela “California Stars” antes de puxar um hino do próprio Guthrie, “This Land is Your Land”, que contou com a participação de outras bandas que também tocaram no festival, como Gang of Four, os Mekons e alguns integrantes da família de Woody, como sua filha Nora (responsável pela realização dos discos Mermaid Avenue) e sua neta Sarah Lee. E sabendo que isso aconteceu no meio da derrocada do governo Trump tem um sabor ainda melhor. Não consegui encontrar os vídeos de todo o show, mas tem mais de 90% do que foi tocado na sexta abaixo:  

16 shows do Joy Division!

Vem aí um tratado sobre o grupo Joy Division ao vivo para comemorar o cinquentenário do lendário grupo pós-punk inglês. O lançamento da caixa de discos Eternal está previsto para o dia 25 de setembro e o pacote inclui material de 16 shows da banda liderada por Ian Curtis reunidos em 14 CDs e dois DVDs com duas horas e meia de imagens do grupo ao vivo, além de uma nova edição do clássico documentário Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, lançado em 1979, e um encarte com texto escrito pelo poeta e dramaturgo inglês Simon Armitage e fotos de Anton Corbijn e Kevin Cummins, entre outros. Além de oficializar vários registros piratas conhecidos dos fãs (como o último show da banda no High Hall em Birmingham, em 1980, na única vez que o grupo tocou “Ceremony”), a caixa ainda traz dois shows inéditos em Londres, no Hope & Anchor (no dia 1ª de março de 1979, gravado por um fã) e no Acklam Hall (no dia 17 de maio do mesmo ano, também gravado do público), além de gravações novas e melhores feitas dos shows na Factory em Manchester (dia 13 de julho de 1979), no Lyceum em Londres (dia 29 de fevereiro de 1980) e no Moonlight Club também em Londres (dia 2 de abril de 1980). Para atiçar a expectativa dos fãs sobre a caixa (já em pré-venda), foi lançado um primeiro single, a versão ao vivo para “Transmission” gravada ao vivo no Les Bains Douches, em Paris, no dia 18 de dezembro de 1979. Ouça o single, veja a ordem das músicas e a cara da caixa abaixo: