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Neil Young melancólico

O decano Neil Young anuncia mais um disco com sua atual banda Chrome Hearts e começa os trabalhos com a melancólica faixa-título de Second Song, um lamento de quase doze minutos que vem como um respiro que o velho canadense faz de sua campanha anti-Trump, da qual tornou-se adversário ferrenho. É o terceiro disco que lança à frente deste novo conjunto, depois do disco de estreia (Talking to the Trees, do ano passado) e de um disco ao vivo (As Time Explodes, lançado no início do ano) e deixa a eletricidade vivaz característica das composições mais recentes para abrir aquele seu clássico cômodo mental em que a introspecção, instrumentos acústicos e vocais sobrepostos tornam-se uma só sensação. Que beleza.

Ouça abaixo:  

Minha participação no Spim 2026

Neste domingo vou fazer a mediação da mesa É Possível Viver de Música Independente? dentro da programação de conferências da São Paulo Independent Music, que acontece na Casa Rockambole. A mesa também conta com a participação de Alê Sater (do Terno Rei), Phil Fargnoli (do CPM22) e Léo Ramos (do Supercombo) e começa a partir das 15h. Quer sugerir alguma pergunta?

E essa faixa escondida do Lost Weekend da Phoebe Bridgers?

Ainda digerindo o calhamaço emocional que é Lost Weekend da Phoebe Bridgers e não bastasse ela vir com 16 músicas para abalar o coração de 2026, ainda há uma décima sétima faixa escondida nas edições físicas do disco. “Best Dressed” é uma parceria com o ex-vocalista do Black Country New Road singer, Isaac Wood, que abrirá alguns shows da cantora norte-americana na turnê de lançamento do disco. Na edição em vinil, a faixa vem após a última canção do álbum, “ Lost Weekend (Reprise)”, mas no CD, se você segurar o botão para voltar a música logo no início da primeira canção, “The Outside”, o contador de tempo retrocede negativamente até revelar que há uma faixa antes da faixa de abertura. Muito bom ver que ela soube temperar um disco com muitas camadas com outras tantas pistas escondidas espalhadas por aí (como um texto em alto relevo na edição em vinil ou a forma que o encarte brilha quando posto sob uma luz negra). E não deve terminar por aí…

Ouça “Best Dressed” abaixo:  

Vandal pesado!

Outro disco inacreditável que saiu nesta semana é o quarto álbum do rapper baiano Vandal. Ou primeiro, já que ele mesmo chama seus discos anteriores de mixtape e transforma seu novo Vanguardah em um monumento à fusão de música urbana que vem praticando na última década. Dirigido por Russo Passapusso e produzido por Tiago Simões, o novo disco funde suas habilidades como MC – o baiano é pioneiro do grime e do drill, variantes radicais e pesadas do rap – com grooves de rua baianos, como o samba-reggae e o pagodão baiano, além de envernizar o disco com a presença do maestro Ubiratan Marques e sua Orquestra Afrosinfônica, primeiro astro de um time estelar de colaboradores no álbum, que vai do próprio Russo a Josyara, passando por Livia Nery, Giovani Cidreira, Hiran e KL Jay, entre outros (além dessa capa absurda!). E já desponta como um dos grandes discos brasileiros de 2026. Ouça agora.

Ouça abaixo:  

De volta ao Mesopotamia

A colaboração entre os B-52’s e David Byrne parecia ser uma combinação dos sonhos em 1981, quando o líder dos Talking Heads foi incumbido de produzir o terceiro disco da banda new wave, que estava em ascensão. Mas na prática, o que poderia ser um disco memorável acabou resultando num trabalho apressado, reduzido a um EP batizado Mesopotamia com apenas seis faixas, lançado no início de 1982. A gravadora Rhino resolveu contar a história por trás deste disco e lança na semana que vem a caixa com 3 CDs e um LP chamada Ancient Culture: Mesopotamia, que desenterra faixas que não entraram no disco (como “Big Bird”, “Adios Desconocida” e “Queen Of Las Vegas”), apresenta uma nova mixagem para o disco original, traz novos remixes e a gravação de um show no Roseland Ballroom de Nova York no dia 19 de abril de 1982, batizado de Meso-America. Veja a relação das faixas abaixo:  

A pré-história de David Bowie

Eis mais um single da compilação de gravações que David Bowie fez antes de assumir seu pseudônimo artístico definitivo e estabelecer-se como um dos grandes nomes da história da música contemporânea. The Shel Talmy Recordings (já em pré-venda) será lançada no mês seguinte e traz registros oficiais que Bowie fez com outros nomes artísticos (como Davie Jones & The Lower Third, The Manish Boys ou Davie Jones), além de músicas que só estão vendo a luz do dia graças a esse novo lançamento. É o caso da demo de “Today”, música que nunca passou desse estágio, que é o segundo single tirado da coletânea, cuja primeira amostra foi o single de “I Want Your Love”. As músicas foram gravadas pelo produtor que deu a origem fonográfica à cena mod inglesa, Shel Talmy gravou os primeiros singles do Who (“My Generation”) e dos Kinks (“You Really Got Me”) e há registros que incluem a participação de músicos ingleses conhecidos por trabalhar em gravações alheias, como o tecladista Nicky Hopkins e o futuro fundador do Led Zeppelin Jimmy Page. A música nova não empolga tanto quanto a anterior, mas é mais uma prova que, além de ser um dos grandes nomes da história do pop, Bowie trabalhou bastante para conseguir chegar a este panteão.

Ouça abaixo:  

𝐀𝐠𝐨𝐫𝐚 𝐀𝐠𝐨𝐫𝐚: 𝐌𝐮𝐬𝐢𝐜 𝐅𝐚𝐬𝐡𝐢𝐨𝐧 𝐅𝐢𝐥𝐦 @ Porta (14.8)

Music Fashion Film da Charli XCX continua sendo o assunto do momento e por isso resolvemos seguir nesta mesma toada, com mais uma edição da festa Agora Agora dedicada ao universo deste álbum. Enquanto a artista encabeça festivais pelo mundo antes de começar sua própria turnê, voltamos ao imaginário que mistura música, cinema e moda em preto e branco para fazer todo mundo dançar essa estética, desta vez na Porta, em Pinheiros. A casa, que fica no número 95 da rua Horácio Lane abre a partir das 18h e a festa começa a partir das 20h, sem hora pra acabar. E dessa vez – é verdade, precisamos ser honestos – nem precisa comprar ingresso, é só chegar.

#_agora_agora

Música surrealista

A Tubo de Ensaio soube realmente como aproveitar a enorme tela de cinema sobre suas cabeças no show que fizeram nesta quinta-feira no Cine Belas Artes dentro de mais uma edição da sessão Trabalho Sujo Apresenta, que venho fazendo no local. Ao convidar o videocientista Gibaa para tomar conta da parte visual da noite, aproveitou o apreço deste por televisores decanos para criar o espetáculo TV de Tubo, em que estes aparelhos funcionavam como decoração e acessórios à tela principal, que ele manipulava imagens do grupo feitas simultaneamente como aquele efeito VHS vintage. Mas mais do que voltar no passado, Gibaa acertou ao experimentar abstrações visuais retrô que caíram feito uma luva com a progressão hipnótica de canções que o grupo escolheu para fazer na apresentação, deixando músicas mais intensas e pesadas do repertório de fora para garantir um transe lento que aos poucos foi comendo os cérebros dos presentes, boquiabertos e transfixados, quase sem pegar o celular para registrar o que estavam vendo. Um passo importante que o grupo de prog psicodélico eletrônico dá em sua carreira, preparando terreno para o sucessor de seu disco de estreia lançado no ano passado, Endofloema. Quase não mostraram músicas novas, mas mostraram o clima que querem conduzir seu público – uma delirante escada espiral que desce ao mesmo tempo que parece subir. Música surrealista.

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Trabalho Sujo apresenta: Tubo de Ensaio @ Belas Artes (13.8)

Nesta quinta-feira temos mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta no Cine Belas Artes com a banda Tubo de Ensaio mostrando o espetáculo TV de Tubo que conceberam para fazer no próprio cinema! A apresentação começa às 20h30 e os ingressos estão quase acabando, corre que ainda dá pra garantir lugar nesse showzaço que eles vão fazer – aquele momento em que o rock progressivo, o rock psicodélico e a música eletrônica encontram-se com a sétima arte, com visuais a cargo do Giba. Dá pra comprar na hora, na bilheteria, mas corre o risco de não ter mais, por isso corre!

A volta do Elastica era só uma edição deluxe do primeiro disco?

O Elastica anunciou que teria novidades esses dias e estávamos esperando música nova, anúncio de show e elas vêm com uma edição deluxe de seu primeiro disco homônimo de 1995, meu disco favorito do britpop. A nova edição vem em vinil duplo e inclui faixas de sua participação do Radio One Sessions da BBC, a demo de “Blue” e os lados B “Cleopatra” e “Pussycat”, lançados antes do primeiro disco – além de incluir outros intens nas edições mais caprichadas, como camisetas, um pôster e um flexidisc. O disco será lançado no dia 2 de outubro e já está em pré-venda.

Veja mais abaixo: