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Uma banda única na história do rock progressivo

O Violeta de Outono voltou mais uma vez ao palco do Sesc Pompeia e a seu disco de estreia ao mesmo tempo, quando, neste sábado, o trio revisitou, com sua formação clássica, o disco homônimo desta banda única na história do rock progressivo. Nascido numa época em que o gênero estava fora de moda, o grupo liderado pelo guitarrista e vocalista Fabio Golfetti absorvia influências do pós-punk dos anos 80 e da psicodelia dos anos 60 numa época em que o gênero musical mais ouvido no Brasil era docilmente chamado de pop rock. O Violeta surgiu quando a cena musical paulistana começou a responder ao rock ensolarado, adolescente, risonho e praiano que começou a ser feito no Rio de Janeiro no início dos anos 80. O trio – cuja formação no show era a clássica com o baixista Angelo Pastorello e o baterista Claudio Souza, além de contar com o filho de Fabio, Gabriel Golfetti nos teclados e vocais em algumas músicas – surgiu ao mesmo tempo em que bandas como RPM, Titãs, Ira!, Ultraje a Rigor e toda a geração que nasceu em discos da Baratos Afins e trouxe elementos inexistentes no rock daquele período, como o pessimismo, a sensação de fim de mundo, o ar noturno e guitarras pesadas, ecoando artistas ingleses da mesma época. E assim o Violeta trouxe mais uma vez para o palco do Sesc Pompeia sua psicodelia melancólica, com solos de guitarra melífluos e dramáticos, letras introspectivas e existencialistas, baixos cavalgados e bateria metronômica. Para expandir a duração do show para além da meia hora do disco original, o grupo de Golfetti optou por versões de músicas alheias, tocando pela primeira vez ao vivo a versão que fizeram para a música “Jesus Come Back to Earth” de Arnaldo Baptista e duas músicas do primeiro disco do Pink Floyd, “Chapter 24” (que entrará em um disco inglês feito em tributo ao fundador do grupo, Syd Barrett) e “Astronome Domine”, que encerrou a apresentação no final do bis – além de tocar sua já clássica versão para “Tomorrow Never Knows”, dos Beatles, que encerra o álbum e encerrou a primeira parte do show. Que banda!

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Lemonheads ♥ Almir Sater

Alguém poderia imaginar uma colaboração entre os Lemonheads de Evan Dando e Almir Sater? Pois é justamente esta parceria entre a banda de Boston nos EUA e o violeiro do pantanal brasileiro que abre os trabalhos do próximo disco do grupo, Townesville, um disco dedicado à obra de Townes Van Zandt, ídolo country do roqueiro dos EUA que veio morar no Brasil, e que será lançado no aniversário de quarenta anos de sua morte, que aconteceu no primeiro dia do ano de 1997. A faixa “Rake” é uma balada country crua, quase um folk acústico pesado, que ganha uma sutileza e uma carga histórica com o brasileiro trazendo o detalhismo de seu instrumento para a canção. A conexão de Dando com a música brasileira vem de sua esposa Antonia Teixeira, filha do músico Renato Teixeira, que também foi casada com o irmão caçula de Almir, Rodrigo Sater, e apresentou a clássica música caipira ao roqueiro gringo. E pelo jeito tem clipe vindo aí…

Ouça abaixo:  

Duas vertentes de rock

O Inferninho Trabalho Sujo desta sexta-feira começou com um pé no pós-punk e outro na eletrônica, quando Leo Stroka trouxe seu Real No Ficción pela primeira vez para o palco da festa, que aconteceu no Picles. O clima gótico apocalíptico tiinha timbres sintéticos oitentista e um excelente jogo de guitarras, quando João Manoel e Rapha Carapia traziam referências de rock progressivo nos anos 80, noise, punk-funk e rock lisérgico, uma mistura aparentemente contraditória que funcionava de forma impressionante, deixando aquele clima dark wave perfeito para as canções ao mesmo tempo lúgubres e dançantes de Leo, que disparava bases eletrônicas enquanto cantava com seu vocal grave e distorcido, tudo sobre a bateria precisa de João Pedro Dentello.

Depois foi a vez de GG di Martino fazer seu show de despedida do Brasil, trazendo suas referências sessentistas e setentistas com um rock enxuto e de forte influência nova-iorquina, que passeava pela Factory de Andy Warhol, o Max’s Kansas City e ao CBGB’s, ecoando glam rock, protopunk e punk clássico, com o vocalista deixando sua verve classuda à flor da pele, enquanto era acompanhado por dois integrantes da apresentação anterior, com o Raphael Carapia deixando sua guitarra sessentista abraçar as referências de Detroit (como Stooges, MC5 e Alice Cooper – os dois primeiros citados literalmente durante a apresentação), enquanto João Manoel, guitarrista do Real No Ficcion, assumia a bateria com a pressão rock exigida por aquele tipo de apresentação, que ainda contava com a presença sutil mas decisiva da baixista Fernanda Minillo. “Ouçam Velvet Underground!”, disse GG ao final da apresentação, como um último conselho antes de sair do Brasil.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta GG Martino + No Wall Noise Band e Real No Ficción @ Picles (11.9)

Começando setembro com mais um Inferninho Trabalho Sujo à vista, desta vez no Picles, quando reúno, na próxima sexta, dia 11 de setembro, a nova banda do GG Martino – sua No Wall Noise Band – e o projeto Real No Ficción, ambos trabalhando rock pesado, pós-punk e dance music na mesma medida, enquanto eu e a Bamboloki mais uma vez nos reencontramos praquele set desmedido que há tempo não fazíamos. Quem pegar o ingresso online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar. Vamos nessa!

Entregues à performance

Dois dos principais hypes das cenas musicais paulistana e carioca se encontraram nesta quinta-feira na Casa Natura Musical, quando o Vera Fischer Era Clubber dividiu a noite com o Nigéria Futebol Clube. O trio de Itaquaquecetuba abriu os trabalhos em seu modo freestyle e em vez de trazer o rastro pós-punk de seu disco de estreia ou os devaneios jazzísticos de seu próximo álbum, preferiu transformar sua apresentação em instalação performática usando a música mais como fio condutor do que fim em si mesma. Assim abriram a noite para vários compadres e camaradas, que se espalharam do palco para o público durante um longo improviso instrumental que resvalava tanto no lado mais rock e punk do grupo quanto em seus devaneios psicodélicos, mas sem distinguir uma canção da outra ou um gênero do outro. Quem nunca tinha visto a banda não deve ter entendido nada (e esse parecia ser o propósito), mas seu público embarcou na viagem e em vários momentos abriram rodas de dança no meio do público.

Depois do caos do Nigéria foi a vez do quarteto carioca Vera Fischer Era Clubber despedir-se de seu primeiro disco – chamado apenas Veras I -, que, confesso, não me bateu. Mas é muito comum, especialmente em discos de estreia, que o resultado fonográfico não alcance o impacto do show e esta foi minha principal motivação para ir a esta apresentação. E valeu demais. Ao vivo, os Veras têm muito mais impacto sonoro do que em disco, sem contar o carisma irrefreável de sua frontwoman Crystal Duarte, metralhadora verborrágica que, mesmo à distância, parece enfiar o dedo na cara de cada presente, de tanta intensidade. Ao seu lado, a baixista Malu é um colosso pós-punk e carrega o volume do grupo como uma Peter Hook em transe, com baixos cavalares, sempre acompanhada das texturas oitentistas dos teclados e synths de Vick Luz e dos beats insanos de Pek0, trazendo a coesão de uma banda de rock para um projeto eletrônico que, à primeira audição, parece brincadeira, mas que no palco torna-se uma terapia catártica para toda uma geração – e por mais que Crystal seja o epicentro deste magnetismo, ela vem sobre os ombros instrumentais de suas três colegas de banda. Às vésperas do lançamento do segundo disco, chamado, curto e grosso, de Veras II (à la Led Zeppelin), o conjunto tem tudo para surfar uma onda ainda maior que a do primeiro lançamento. Tomara que tenham conseguido capturar este impacto ao vivo neste segundo volume.

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Todo o show: Weyes Blood com a Jules Buckley Orchestra no Royal Albert Hall, em Londres (8.9.2026)

Como parte do final da programação do BBC Proms – festival de música erudita organizado pela rádio estatal inglesa durante o verão -, o maestro inglês Jules Buckley e sua orquestra (que já tocou com Florence + The Machine, St. Vincent e outros artistas pop) voltaram à programação do evento nesta terça-feira, convidando nossa querida Natalie Mering – a Weyes Blood – para fazer uma apresentação conjunta, em que a cantora norte-americana levou suas composições – incluindo inéditas de seu próximo álbum – ao patamar orquestral. E ficou de chorar, ouça abaixo:  

Um livro sobre o primeiro disco dos Beastie Boys

Em comemoração aos 40 anos do primeiro disco dos Beastie Boys, Licensed to Ill, o jornalista norte-americano Ben Merlis, lança o livro Beastie Boys: Licensed to Ill – 40 Years em que detalha a história do surgimento deste álbum, um marco na história da música pop. É um livro de capa dura e páginas coloridas com quase 200 páginas, que reúnem mais de 200 fotos do trio durante este período, além de entrevistas com os próprios Beastie Boys e integrantes de sua turma naquela época, análise detalhada de cada faixa do disco e prefácio escrito por Prince Paul. O livro será lançado em novembro e já está em pré-venda.

Veja algumas páginas abaixo:  

Pautados pelo som

“Por mim nem lançava single nenhum, só botava o disco inteiro no ar”, desabafa o guitarrista Guilherme Paz, antecipando o primeiro single do próximo disco da banda Gueersh, “Guerreires do Jóquei”, que sai nesta quinta-feira e que liberam em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Porque apesar dessas músicas terem mais letras que antes, o conjunto da coisa não é pautado pela canção, mas pelo som de tudo, por isso o sentido de lançar um single parece mais vago.” Mas, incentivados pelos amigos, a banda resolveu dar um aperitivo do disco Macarrão de Guerrilha, que deverá sair na semana que vem, e escolheram esta música por ser “mais a síntese da parada”. Ele também comenta como foi trabalhar com o guitarrista Eduardo Manso, que produziu o novo álbum. “Nossa onda bateu desde a primeira vez que nos conhecemos, curtimos muita coisa em comum de som, humor, ideias… E anos antes da gente se conhecer já tínhamos elencado ele como uma das pessoas do sonho com quem queríamos trabalhar produzindo algo”, continua, enfatizando que têm outros produtores dos sonhos em vista para trabalhos futuros. “Trabalhar com pessoas talentosas, que gostam de ouvir e trocar… Aí tudo se soma, é lindo demais. O show que fizemos no Centro da Terra, Coletivas Mãos (título tirado de um trecho deste primeiro single), parte desse lugar. Estamos acostumados a fazer shows elaborados em espaços apropriados, como teatros e tal… e nesse a gente mandou o disco pras pessoas e deixou elas sentirem e a partir daí foi se construindo naturalmente”, conclui.

Ouça abaixo:  

Prazer e gozo

E corre pra Casa de Francisca pra pegar o aniversário de 69 anos da maga Alzira E, comemorados numa festa inacreditável em que seu repertório foi revisto por algumas de suas pessoas mais queridas, com a própria Alzira assistindo tudo na frente do palco. A festa começou com “Nosso Presente” cantada por Gustavo Galo, que já deixou a banda que acompanharia os outros intérpretes (Chicão Montorfona e a cozinha da banda Corte da própria Alzira, com o bixiga 70 Marcelo Dworecki no baixo e Fernando Thomaz na bateria), em ponto de bala. Depois a filha de Alzira Luz Marina subiu com Lucinha Turnbull para tocar “Já Sei” com o próprio Galo, Curumin hipnotizou o público esticando as vogais de “Beijos Longos”, Tulipa e Gustavo Ruiz continuaram apimentados com “Ladainha”, Negro Leo seguiu com “Itamar É”. O clima familiar ficou ainda mais intenso à entrada irmã Tetê Espíndola, que veio arrasando com “Rio Vermelho”, a filha Iara Rennó, que subiu com Ava Rocha para cantar “Mulher O Suficiente” e a noite ainda teve participações do filho Joy Espíndola, Peri Pane e chegou ao ápice quando o saxofonista Cuca Oliveira e o trompetista Daniel Gralha subiram ao palco com a própria Alzira e seu baixo elétrico, fechando a formação de sua banda Corte, para tocar uma música inédita, a composição mais recente feita pela aniversariante, que estava esfuziante com a noite. Dali pra frente, o Corte seguiu incendiando tudo com direito a todo mundo subindo no palco numa grande catarse ao final, sublinhada pela fala da própria Alzira ao final: “Pra mim é só prazer e gozo”. Evoé!

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À sombra do Velvet Underground

O Gueersh mostrou que é uma das principais novas bandas brasileiras nesta terça-feira no Centro da Terra, quando, no espetáculo Coletivas Mãos, apresentou na íntegra seu próximo álbum, Macarrão de Guerrilha, que deve ser lançado ainda neste mês. Tocando entre tecidos presos no teto do palco em que imagens misturadas em retroprojetores cobriam a banda fluminense, a banda começou a noite com seus cinco integrantes ao piano, cada um tocando um acorde por vez, criando uma linha melódica que foi aos poucos sendo distorcida pelo produtor do disco, o guitarrista Eduardo Manso, convidado desta apresentação, que, num synth, levava aquela melodia repetitiva para outras galáxias, funcionando como uma boa amostra do que veríamos a seguir. E assim, Lívia Gomes (voz e sintetizadores), David Dinucci (guitarra), Guilherme Paz (guitarra, voz, percussão, violão, sintetizador), Thomaz Alves (baixo) e Igor Arruda (bateria) passearam pelas seis faixas do novo disco, esticando-as em improvisos sônicos entre a microfonia, o groove motorik, a canção, riffs desconstruídos de guitarras e distorções eletrônicas, sempre com a sombra do Velvet Underground pairando sobre o palco. De tirar o fôlego!

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