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Entrosamento e sensibilidade

Maravilhosa apresentação do quinteto Lumia nesta segunda-feira no Centro da Terra que, apesar de tocar nesta formação que inclusive batizava sua apresentação, não pode contar com a baterista Amanda Barbosa no palco, que teve problemas de deslocamento para chegar em São Paulo a tempo. Com o baixista Bruno Migotto fazendo as vezes (e bem!) de baterista, as integrantes do grupo não tiveram dificuldade em mostrar seu repertório autoral e uma química latente entre elas que transparecia na troca de olhares e sorrisos que atravessou a apresentação feita por Marina Marchi (voz), Júlia Toledo (piano), Laryssa Alves (contrabaixo) e Miriam Momesso (guitarra). O entrosamento e sensibilidade dos músicos equilibra-se na delicadeza do jazz à brasileira com pitadas de música estrangeira, como quando fizeram uma composição do músico isralense Shai Maestro e uma composição tradicional da Estônia “Kiik Tahab Kindaid” na versão feita pela vocalista estoniana Karmen Rõivassepp, mas com arranjo próprio. Noite linda.

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Lumia: Quinteto

Vamos começar o último mês deste semestre de 2026 com a primeira apresentação formal do grupo Lumia, formado pelas musicistas Marina Marchi (voz), Júlia Toledo (piano), Laryssa Alves (contrabaixo), Miriam Momesso (guitarra) e Amanda Barbosa (bateria), numa apresentação batizada com a descrição do resultado final de sua recente formação: Quinteto. Tocando composições próprias e releituras em que misturam jazz contemporâneo, música de improviso e a música brasileira, elas se orientam pelo próprio nome da banda, que pode ser literal (“luz”) ou simbólico (“guia”). O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Charli XCX causando

Sim, esta é a capa do novo disco de Charli XCX, anunciado nesta segunda-feira depois de dois teasers em forma de single (“Rock Music” e “SS26”), chamado sem meios-termos de Music, Fashion, Film, temas encarnados pelos três figurões que ela enquadrou pela lente de seu compadre diretor Aidan Zamiri: John Cale, Marc Jacobs e Martin Scorsese juntos no mesmo cômodo. Só os bastidores dessa capa já valem a existência do disco, mas conhecemos nossa querida Charli e esse soco na cara é só o começo de mais uma viagem de excessos. O disco sai em julho, mas até lá vamos ver muitas pistas…

Reencontro nostálgico

A primeira vez que vi o Superchunk ao vivo foi há quase 28 anos, quando o grupo da minúscula Chapel Hill tocou no diminuto Blue Galleria, em Piracicaba, na primeira vinda deles para cá, em 1998. Eles eram pelo menos dez anos mais velhos do que a maioria dos presentes, mas naqueles púberes anos 90 pareciam uma banda indie ancestral – e isso não dizia respeito a etarismo. Além de banda, eles eram donos da gravadora Merge, que começou como um veículo pra lançar os próprios discos, mas que, naquele distante 1998, já haviam lançados discos seminais como o In the Aeroplane Over the Sea do Neutral Milk Hotel e o Get Lost do Magnetic Fields – no mesmo mês que vinham para o Brasil pela primeira vez lançavam o primeiro grande disco do Lambchop, What Another Man Spills! O contato com uma banda que não era só um grupo tocando música no palco (como se isso fosse pouco!), mas também mola mestra da própria carreira, funcionou com inspiração para dezenas de indies pelo Brasil, que montaram suas próprias bandas, produtoras, abriram seus próprios zines ou selos (ou sites, naquele matagal inicial que era a internet no período) ou conheceram inúmeros artistas naquela época, fazendo, durante os anos 90, o que havia acontecido na década anterior nos EUA e na Inglaterra, quando bandas pouco comerciais descobriram que havia um mercado para além do mercado tradicional de rádios e grandes gravadoras. Por isso o reencontro com o Superchunk neste domingo no Cine Joia (depois de vê-los no ano 2000, em 2011 e ver o show solo de Mac em 2015) teve clima de flashback e nostalgia, acelerada pela presença de duas novas integrantes que não vieram nas outras vindas: a baixista Betsy Wright faz os shows com a banda no lugar da fundadora Laura Ballance e a baterista caçula Laura King segura o pique do fundador Jon Wurster, fora da banda desde 2023. A banda percebeu que estava tocando para o público que a viu crescer no país e caprichou no repertório anos 90, para delírio dos cinquentões presentes que eram quase a maioria da lotação da casa. Banda e público saíram com sorrisos nos rostos.

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Miley Cyrus ♥ Cocteau Twins

Parece um sonho febril de tão surreal. Olha que foda essa versão pra “Heaven or Las Vegas” dos Cocteau Twins que a Miley Cyrus fez num show em 2021 justamente em Las Vegas. “Não se preocupem, tem só um minuto de duração”, ela se justifica no meio da música pros fãs que queriam ouvir as músicas dela. Além de matar sua vontade de tocar esse clássico (de um disco que foi redescoberto por uma nova geração como se fosse a obra-prima do grupo inglês), ela fez bonito e certamente fez alguns de seus fãs saírem atrás daquela música e talvez tenham descoberto os Cocteau Twins. Só por isso essa versão já estava valendo. E como se não bastasse tudo isso, espere até o final do vídeo, quando ela ganha um presente de um fã.

Assista abaixo:  

Ave Tom Zé!

Mais um encontro com o mestre Tom Zé, desta vez na Casa de Francisca, onde ele já é de casa – a ponto de começar o show com uma música escrita em homenagem ao local. Prestes a começar o início de sua nona década neste planeta, ele segue com a mesma espontaneidade que lhe é característica e combustível para sua criatividade, contando com o guitarrista Daniel Maia e a vocalista Andréia Dias, que estão em sua banda desde antes da pandemia, como guias para ajudá-lo a seguir o repertório. E que repertório! Mesmo que há tempos (felizmente) insista em algumas composições clássicas como “2001”, “Jingle do Disco”, “Jimmy Renda-se” (que voltou à baila graças à trilha do filme Ainda Estou Aqui), “ Nave Maria”, “Tô”, “Hein?”, “A Felicidade”, “Politicar”, “Augusta, Angélica e Consolação” e “Um ‘Oh!’ e um ‘Ah!’”, ele ainda encontra espaço para pinçar experimentos menos conhecidos de seu impressionante cancioneiro, como “A Boca da Cabeça”, “Curiosidade”, “Happy End”, “Não Tenha Ódio No Verão”, “Aviso aos Passageiros” e “Amarração do Amor”. Fingindo sair do palco para acelerar o bis, ele encerrou a noite voltando mais uma vez à canção que fez para a Casa de Francisca e amarrou a noite com o hino “Parque Industrial” a pedidos do público. Viva Tom Zé!

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E não é que o She & Him voltou mesmo?

Projeto paralelo das carreiras da atriz Zooey Deschanel e do indie M. Ward, o grupo teve seus momentos em sua primeira fase, quando lançou seus três primeiros discos pela gravadora indie Merge, ganhando notoriedade na virada da primeira década do século, quando empresas como Apple e Starbucks passaram a dar corda para um indie folk mais fofinho, abrindo espaço para artistas bissextos como a dupla. Desde que saiu da Merge, em 2014, o projeto tornou-se ainda mais irregular, mas coincidentemente voltou a fazer música via Brian Wilson, primeiro ao participar do disco do beach boy original No Pier Pressure (de 2015) e depois ao fazer um disco inteiro dedicado ao homem, Melt Away: A Tribute to Brian Wilson (de 2022). Mas por essas loucuras da vida digital, o semihit que lançou o grupo em 2006 (“I Thought I Saw Your Face Today”) ganhou uma sobrevida no TikTok e fez o grupo entrar nas paradas de sucesso pela primeira vez. Aproveitando a onda, Zooey deixou a franja de novo e os dois anunciaram sua volta aos palcos, oficializada com sua participação no programa Jimmy Kimmel Live! neste fim de semana. Foi a primeira vez que os dois voltaram a tocar juntos desde o lançamento de Melt Away e anunciaram uma turnê oito datas pelos Estados Unidos.

Assista abaixo:  

Delicadeza camerística

Francisca Barreto segue testando novos formatos para o seu repertório e nesta sexta-feira apareceu na Sala B da Casa de Francisca novamente em um duo, agora com seu guitarrista e produtor Victor Kroner, com quem dividiu o palco intimista do Palacete Tereza no Centro de São Paulo em uma noite lotada de um público bem variado que foi reconhecer a artista em ascensão. Sempre acompanhada de seu violoncelo, ela também trouxe o violão tenor para tocar em algumas músicas e mais uma vez tocou com o cello no colo, como se fosse um contrabaixo em “Bico da Proa”, na composição que, ao lado de sua “Luz”, baliza o espetáculo. Ao chamar Kroner para dividir a noite, aproveitou para dar espaço para o guitarrista mostrar duas de suas (curtas) composições instrumentais, que estão se transformando em disco. Chica ainda trouxe uma surpresa, ao convidar sua amiga e parceira Nina Maia para dividir os vocais na “Gosto Meio Doce” de Felipe Távora, que gravaram quando ainda tocavam como uma dupla e estavam começando a rascunhar suas respectivas carreiras solo, em 2023. Além de suas próprias canções, os dois abriram a noite com uma das Bachianas de Villa-Lobos, emendaram duas de Caymmi (“A Jangada Voltou Só” e “O Vento”), uma de Damien Rice (“Eskimo”, estreando no repertório), Yaniel Matos (“Habana”, seu primeiro single) e Joni Mitchell (“Little Green”), estas duas últimas no bis de um show que, se já era delicado mesmo com banda, ganhou uma roupagem camerística especial neste novo formato.

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Kaytranada no Brasil!

O mago canadense Kaytranada volta ao Brasil mais uma vez, desta vez pela produtora carioca Queremos, que traz o DJ para o país agora em agosto, com passagens pelo Rio e por São Paulo ao lado de uma renca de DJs locais. Ele vem trazendo a versão ao vivo para o ótimo Ain’t No Damn Way! que lançou ano passado e passa por São Paulo dia 14 (quando toca no Komplexo Tempo) e no dia seguinte no Rio (no Armazém da Utopia). Além do mestre, a noite ainda terá sets dos Deekapz, Marta Supernova, Vhoor e o back to back da dupla Aisha e Yaminah. Os ingressos já estão à venda.

Dedo na tomada

Ainda corri para a Casa de Francisca a tempo de pegar desde o começo o show de lançamento do segundo disco dos Tangolo Mangos, Pedágios y Caronas, no Porão lotado da casa. Quem já foi a um show dos baianos sabe a descarga de adrenalina e energia positiva que o quinteto despeja no público, mas ontem o nível estava ainda mais alto pois os fãs sabiam cantar todas as músicas do disco novo. Desfalcados de dois integrantes de sua formação (o guitarrista Théo Kiono teve de ficar em Salvador e o baterista João Antonio Dourado acidentou-se recentemente), o grupo contou com os compadres do show que abriu a noite e convocou o baterista Quico Dramma e o guitarrista Caio Colasante – do grupo Kim & Dramma – para assumirem estas funções, o que fizeram de forma brilhante (além de contar com um terceiro integrante do mesmo grupo, o tecladista Eduardo Barquinho, da metade pro fim da noite). À frente do grupo, os vocais enérgicos de Felipe Vaqueiro, João Denovaro e Bruno Fechine – cada um ás em seus instrumentos (o primeiro na guitarra, o segundo no baixo e o terceiro assume a percussão) e sem deixar o carisma contagiante tirar o dedo da tomada. Showzaço!

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