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St. Vincent ♥ Jeff Buckley

Olha isso… Terça passada St. Vincent fez uma apresentação intimista no pequeno Little Saint, na cidade de Healdsburg, na Califórnia, nos EUA, ao lado de sua tecladista Rachel Eckroth. Mas num dado momento, ela preferiu tocar apenas sua guitarra e surpreendeu todo mundo com uma versão emocionante para “Grace” do Jeff Buckley. Na mesma noite ela também tocou “Personal Jesus” do Depeche Mode, mas eu ainda não encontrei esse vídeo online…

Assista abaixo:  

Lá vem o Ottopapi!

Nessa sexta-feira Ottopapi finalmente materializa um dos melhores shows de São Paulo em seu disco de estreia, que batizou com o nome do seu primeiro hit, Bala de Banana. Mas enquanto o show caminha pela conexão São Paulo-Nova York, traçando paralelos entre Velvet Underground, Television, Strokes com Fellini, Pin Ups e Cansei de Ser Sexy, a versão em disco, com produção de Chuck Hipólitho, salienta a verve new wave das canções, deixando a guitarra surf mais pronunciada, bem como os vocais mais definidos, sem nunca perder o elemento chicletudo das canções, vírus musicais que entram no cérebro e ficam dias na memória. Otto celebra o lançamento do disco ao lado da usina de som que ele montou (Thales Castanheira, Yann Dardenne e Vítor Wutzky nas guitarras, Danilêra nos synths, Bianca Godói no baixo e Gael Sonkin na bateria) na própria sexta-feira num show que promete no Porta. Vou perder essa porque não vou estar em São Paulo, mas se eu fosse você não perderia porque marca o lançamento do primeiro grande disco de 2026. O vídeo é do Rollinos. Bora Otto!

Veja abaixo:  

Tava com saudade do Ringo?

Pouco mais de um ano desde o lançamento do disco country Look Up, Ringo Starr aparece com um novo álbum programado para ser lançado no final de abril. Em Long Long Road, o eterno baterista dos Beatles volta a repetir a dobradinha com o produtor e guitarrista T Bone Burnett, que esteve com Starr no disco anterior, e juntos convidaram alguns jovens nomes de peso para as gravações, como Sheryl Crow e St. Vincent. O primeiro single do disco, “It’s Been Too Long”, não acrescenta nada à discografia do Beatle (como se precisasse), mas marca seu primeiro lançamento após ter cruzado a marca dos 85 anos, no meio do ano passado. Vai Ringo!

Veja o clipe do primeiro single abaixo:  

Four Tet ♥ PinkPantheress

O título de produtora do ano dado pela indústria fonográfica britânica à formidável em sua premiação oficial, que aconteceu sábado passado em Manchester na Inglaterra foi só a consolidação de um trabalho que ela vem desenvolvendo com muito afinco desde que era só uma sensação do pop feito em seu quarto no início da década, quando começou a ganhar audiência e notoriedade através do TikTok. Mas seu Fancy That, um dos discos mais legais do ano passado, já tinha recebido um título dessa estatura quando sua expansão (Fancy Some More?, lançado em outubro de 2025) contava com a participação de luminares do pop de diferentes recortes como Oklou, Kylie Minogue, Kaytranada, Basement Jaxx, Joe Goddard, Bladee, Zara Larsson, Groove Armada e até brasileiros como Anitta, DJ Caio Prince e Adame DJ. A coroação desse novo estágio de sua carreira vem na mesma semana do prêmio, quando ninguém menos que Four Tet (que já vinha discotecando a faixa de abertura de Fancy That? em seus sets do ano passado), transforma a irresistível “Illegal” em uma trama transcendental de beats hipnóticos com camadas de cordas digitais, abrindo uma outra fronteira, quase mística, para a canção.

Ouça abaixo:  

Precisão milimétrica e carisma intacto

Em plena terça-feira os Pet Shop Boys lotaram uma casa de shows na zona sul de São Paulo reunindo milhares de fãs – a imensa maioria da velha guarda, contemporânea dos primeiros discos da dupla – num desfile estarrecedor de hits, em que a precisão milimétrica do taciturno produtor Chris Lowe e o intacto carisma e voz de Neil Tennant (com 71 anos e tinindo) fizeram jus à reputação do grupo na história do pop eletrônico. No show Dreamworld dedicado a hits de todas as fases de sua carreira (que já havia passado por aqui na mais recente edição paulistana do festival Primavera Sound no final de 2023), o grupo privilegiou as duas primeiras décadas discográficas, onde estão a maioria de seus clássicos, e os discos mais recentes, de Electric (de 2013) pra cá, deixando de fora toda a fase entre 2002 e 2012. Dos grandes sucessos, não tocaram apenas “Go West”, mas passaram pelos hits estarrecedores dos três primeiros álbuns, emendaram “Single/Bilingual” com “Se a Vida É” e, acompanhada pelo guitarrista e percussionista Simon Tellier, pela vocalista e tecladista Clare Uchima e pelo baterista Bubba McCarthy, quase não saiu do palco em quase duas horas de show, Tennant saindo mais que Lowe especificamente para trocas de figurino. E depois de encerrar a primeira parte da noite com a sensacional “It’s a Sin”, voltaram para um bis fulminante que começou com seu primeiro hit “West End Girls” e com sua melancólica assinatura musical “Being Boring”, fazendo todo mundo sair do Suhai Music Hall com a alma lavada. Coisa fina.

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A vez de Buhr

Foi só passar o Carnaval pro ano começar de verdade – e o mês de março já vem pesado pra música brasileira. Além dos anúncios dos novos discos da Letrux e do Cidadão Instigado, Buhr, que abandonou o prenome Karina para ficar apenas com o sobrenome, finalmente anuncia o quinto disco que vem preparando há dois anos. Sucessor do ótimo Desmanche, de 2019, Feixe de Fogo, seu quinto disco, foi anunciado para o mês que vem e começa a mostrar a cara no próximo dia 25, quando ela mostra o primeiro single “Ânsia”, que conta com Fernando Catatau e o produtor do disco Rami Freitas como parte do instrumental da canção, sua primeira faixa desde o single “Poeira de Luz”, de 2024. A capa do single é a foto que ilustra essa publicação, de autoria de sua irmã, Priscilla Buhr.

Paulo Padilha + Kim Cortada: Filho de Peixe

Nesta terça-feira, recebemos no palco do Centro da Terra o encontro entre pai e filho que celebra a afinidade musical de Paulo Padilha e seu filho Kim Cortada em uma apresentação emotiva. Com 30 anos de carreira musical, Padilha fez parte do grupo Aquilo Del Nisso e recebe o filho Kim, metade da dupla de rap experimental Kim & Dramma num espetáculo que batizaram de Filho de Peixe e reinterpretam os próprios repertórios e outras canções apenas com suas vozes, violão – a cargo de Padilha – e percussão – por conta de Kim. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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O Cidadão Instigado está de volta!

Bem que essa movimentação do Cidadão Instigado nas redes sociais estava indicando e agora, nesta terça-feira, Fernando Catatau anuncia mais um disco de seu grupo batizado apenas com o nome da banda. Cidadão Instigado, o disco, chega ao público no dia 25 deste mês e mexe no cerne original da banda, expandido-o não só para além do rock como para além de sua formaçao clássica. O primeiro indício é a curta “Consciência”, lançada neste mesmo dia, em que o líder da banda pega-se no meio da dúvida logo na entrada da canção: “E eu não sei como é que eu vim de tão longe e agora estou aqui”. O novo disco conta com vários novos colaboradores, inclusive na formação do grupo que tocará o disco ao vivo, que reúne os já veteranos de banda Dustan Gallas (no baixo, synths e vocais) e Clayton Martin (vocais) com os novatos Rubi Assunção (vozes e baixo synth) e Samuel Fraga (bateria e bateria eletrônica), além de participações que entram em diferentes shows, variando inclusive a cada cidade. Bem que 2026 tava prometendo…

Ouça “Consciência” abaixo:  

Matt Berninger + Rosanne Cash ♥ Velvet Underground

E essa versão de “Who Loves the Sun?” do Velvet Underground que o Matt Berninger do National gravou ao lado da Rosanne Cash pra abertura de um seriado? Lógico que não chega perto do original, mas é uma bela porta de entrada para o público em geral na história do Velvet – ou, mais especificamente, no quarto disco deles, o Loaded, esse baú cheio de joias.

Ouça abaixo:  

A veia certa

Sophia Chablau começou sua temporada Guerra no Centro da Terra puxando sua banda pro palco e trazendo um mimo para os fãs que compareceram em peso ao teatro nesta primeira segunda-feira do mês, quando tocou a íntegra do seu ainda não gravado terceiro disco. Ela pediu para que o público não filmasse nem publicasse as músicas ainda inéditas, pedindo para que registrassem apenas as músicas que eles já estão tocando nos shows há quase um ano, que nem têm títulos oficiais ainda, embora seus seguidores já as batizaram de “Ao Sul do Mundo” e “Eu Não Bebo Mais”. E entre os momentos que seguem apenas nas memórias dos presentes estão duas músicas com o baixista Téo Serson nos vocais – e numa delas com ele na guitarra – , além de canções do guitarrista Vincente Tassara, do baterista Theo Ceccato e da própria Sophia, como “Cinema Brasileiro”, parceria com Felipe Vaqueiro que abriu a noite desta segunda. Apesar do teor político estar presente na maioria das músicas novas, ele não é sempre escancarado – mas quando é, caso da excelente “Não Tenho Medo”, o grupo pega numa veia certa que só como ele sabe pegar. A noite terminou com duas músicas do disco anterior – “Quem Vai Apagar a Luz?” e o hit “Segredo” e Sophia esfuziante por ter conseguido finalmente mostrar essas canções que vêm trabalhando há meses. Se o disco novo sai esse ano? Ela não tocou nesse assunto…

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