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André Abujamra + Chicão: Verséculos

Maior satisfação receber nesta terça-feira o encontro de duas almas iluminadas pela música no palco do Centro da Terra, quando André Abujamra e Chicão fundem suas trajetórias no espetáculo Verséculos, em que remontam uma lenda pessoal antiga que, em vidas passados, os dois foram gêmeos siameses, que se reencontram como reflexos idênticos para uma missão ousada – eternizar o amor pelo som, sempre completando trechos musicais que cada um deles inicia no que chamam de Música da Eternidade. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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A hora da Boia

Uma das atrações da próxima edição do festival Chama, a banda campineira Boia comemora seu primeiro aniversário lançando o primeiro EP, gravado ao vivo no estúdio Sincopa, em Campinas, nesta quarta-feira e eles antecipam a faixa que batiza a banda em primeira mão para o Trabalho Sujo. “A ideia era aproveitar a disciplina de Música e Tecnologia, oferecida pela Unicamp, para mostrar o trabalho autoral que vinha sendo realizado pela banda dentro e fora do contexto universitário”, explicam o o baixista Murilo Kushi e o violonista e vocalista Leo Bergamini. “Tivemos 4 horas de estúdio disponibilizadas por essa disciplina, o que é relativamente pouco para a realização de um trabalho extenso, por isso optamos por gravar três faixas ao vivo, ou seja, com todos os integrantes gravando ao mesmo tempo, e para representar a pluralidade estética presente em nosso trabalho, selecionamos composições com sonoridades e influências distintas, cada uma retratando um momento do nosso show”. Esta primeira faixa – que começa contemplativa para logo pegar groove – já dá uma boa ideia do espectro do sexteto, que ainda conta com a voz de Luli Mello – Voz, os sopros de Renato Quirino, a guitarra de Murilo Costa Rosa e a bateria de João Decco. Ouça abaixo:

Ouça abaixo:  

John Carpenter nos quadrinhos!

O mestre do terror John Carpenter dá um passo rumo a uma nova disciplina. Depois de se estabelecer como um dos grandes nomes do cinema e aos poucos conseguir seu espaço como compositor para além da trilha de seus próprios filmes, em discos e apresentações ao vivo que faz ao lado do filho Cody Carpenter e do afilhado Daniel Davies (que também é filho do guitarrista dos Kinks Dave Davies) na guitarra, ele agora entra no mundo dos quadrinhos ao anunciar sua primeira graphic novel. Cathedral (já em pré-venda). Concebida com sua esposa – e parceira criativa de anos – Sandy King, ela conta a história de um assassinato misterioso em uma catedral em Los Angeles e foi desenhada por Federico De Luca e Luis Guaragna, e vem acompanhada de um disco que é a trilha sonora composta por Carpenter para a nova jornada. E pela primeira canção apresentada, “Lord of the Underground”, é a primeira incursão do cineasta ao mundo do heavy metal. Vamos ver se o disco todo, que será lançado no dia 7 de agosto segue essa linha…

Ouça abaixo:  

Lá vem o Maurício Pereira…

Que beleza começar a terça-feira com notícias do Maurício Pereira, que lança o primeiro aceno de seu nono disco, o single “Casamata de Amoreiras”. Composto em parceria com Rômulo Fróes, produzido por Biel Basile que também está na bateria, ao lado de Fábio Sá no baixo, o filho Chico Bernardes e o compadre Tonho Penhasco nas guitarras e Julia Toledo no piano, o novo single abre os trabalhos para o disco que será lançado no final de julho, terá participações de Tim Bernardes (o outro filho de Maurício) e da Charanga do França e é seu primeiro disco de inéditas desde o excelente Outono no Sudeste (de 2008). Chega mais, Maurício!

Ouça abaixo:  

Camadas e camadas

Entre me levantar da poltrona em que vejo a apresentação até cumprimentar os artistas em seguida (algo que leva entre cinco e dez segundos), ouvi três vezes comentários que usavam a palavra “camadas” – sempre no plural – logo após a terceira noite da temporada Acontecimento que o trio Crizin da Z.O. vem fazendo no Centro da Terra, em que receberam o produtor de Guarulhos MNTH e o conterrâneo carioca Lcuas Pires. Só a configuração de palco já foi radicalmente diferente das noites anteriores, em que seus respectivos convidados (Kiko Dinucci e Deafkids) trouxeram guitarras e incitavam a percussão. Esta última até esteve presente na noite, embora tocada com apenas um atabaque e disparadores mecânicos de beats. Em sua terceira segunda-feira, a temporada Acontecimento mergulhou na eletrônica, distorcendo timbres, letras, sequências e até transmissões de rádio para criar justamente as tais camadas mencionadas em voz alta por vários dos presentes após a noite, criando uma trama ambient de noise que abriu uma outra dimensão na textura sonora do grupo. Hipnose de fim de mundo.

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Haruomi Hosono vem aí

Único remanescente vivo da lendária Yellow Magic Orchestra, o japonês Haruomi Hosono vive dias de glória ao ser reverenciado por uma nova geração de artistas – além de sampleado pelo Vampire Weekend e gravado pelo Mac Demarco e pelo conterrâneo Cornelius, ainda abriu as portas de sua casa para receber tanto Mac quanto o geese Cameron Winter em suas recentes passagens pelo Japão. Pioneiro do rock psicodélico japonês ainda nos anos 60 (com a banda Apryl Fool, criada uma década antes do YMO que fundou ao lado dos saudosos Yukihiro Takahashi e Ryuichi Sakamoto), ele acaba de anunciar o lançamento de Yours Sincerely, seu primeiro álbum desde 2019, agendado para setembro deste ano. Não há maiores informações sobre o disco além do título, capa, data de lançamento e dos nomes das músicas e que ele fará alguns shows para aproveitar o novo álbum, dois deles nos Estados Unidos, quando apresenta-se no Radio City Music Hall de Nova York no dia 16 de setembro e no Greek Theatre de Los Angeles no dia 20, ambas apresentações com abertura de Toro y Moi. Mas ele soltou um post em sua conta no Instagram para comentar o novo trabalho:

Agora tenho 78 anos, mas, desde então, sinto uma crescente curiosidade pela música desconhecida que meu novo eu criará, ao mesmo tempo que acolho a música do meu eu anterior — como se agora carregasse dois mundos musicais dentro de mim…

“Tudo começou com uma pergunta simples: como expressar em inglês as ideias japonesas de omoiyari (思い遣り), jihi (慈悲) ou boseiai (母性愛)? Procurei, mas nenhuma palavra parecia certa. Cada uma se aproximava, mas carregava uma nuance ligeiramente diferente. Talvez a mais próxima fosse ‘compaixão’, que é frequentemente traduzida como ‘omoiyari’ em japonês, mas seu significado original significa ‘sofrer junto’. Tende a carregar um sentimento de simpatia ou pena — algo que parece distinto do sentido japonês de ‘omoiyari’. Em japonês, ‘omoiyari’ também inclui o sentimento de ‘ficar feliz junto’. Nesse sentido, pode até parecer o oposto. A perspectiva, o ângulo emocional — sutil, mas fundamentalmente diferente. Por essa razão, optei por não usar ‘compaixão’. Em vez disso, recorri a uma palavra mais familiar, frequentemente usada para encerrar uma carta: ‘Atenciosamente’”.

O disco já está em pré-venda. Veja abaixo a capa e o nome das músicas:  

Um festival para lembrar os dez anos sem Prince

Responsáveis pelo legado de Prince já começaram a lembrar os dez anos de sua morte com o lançamento do single “With This Tear” e agora acabam de anunciar um festival para festejar a importância do mestre da soul music ao revelar o evento “Celebration of Life” que acontecerá entre os dias 3 e 7 de junho no próprio Paisley Park em que Prince conduzia seu trabalho e em áreas de sua cidade-natal, Minneapolis, nos EUA. Entre os nomes confirmados estão as duas bandas que o acompanharam em diferentes momentos de sua carreira – a Revolution e a New Power Generation -, além de outros favoritos do gênio como a musa Chaka Khan, o implacável Morris Day, entre outros, além de participações de Bootsy Collins, Jimmy Jam e Terry Lewis, que também estarão presentes em mesas de discussões que acontecerão durante o evento. Além dos shows e dos debates, ainda haverá um brunch dominical com festa gospel ao ar livre, uma audição com material inédito que será lançado futuramente, uma mesa que contará os planos de lançamentos do artista nos próximos dez anos, visitas ao estúdio, exibições de filmes e shows do homem e discotecagens. Os ingressos já estão à venda.

Uma boa e uma má notícia para os fãs da Oklou

Uma boa e uma má notícia para os fãs brasileiros da francesa Oklou, uma das atrações do C6Fest desse ano. A boa notícia é que ela se encontrará com os fãs para dar autógrafos no próximo sábado num evento cujo local ainda será anunciado e que acontece no dia anterior ao show que fará domingo no festival. A má notícia é que as inscrições para o evento foram tantas que os organizadores já fechou o site em que era possível se cadastrar para o encontro, infelizmente.

Saíram os horários do C6Fest!

Eis os horários das atrações do C6Fest deste ano, que começa na próxima quinta. Quinta e sexta não tem discussão porque os shows de jazz no Auditório Ibirapuera não acontecem simultaneamente a nenhum outro show, ao contrário do que acontece no fim de semana. E pelo que eles divulgaram, alguns shows vão acontecer ao mesmo tempo que outros, mas acho que menos trágico do que poderia acontecer. Especialmente porque este ano haverá um quarto palco além da arena, da tenda e da área dedicada à pista de dança ao incluir dois shows – Mabe Fratti no sábado e Cameron Winter no domingo – no mesmo Auditório em que aconteciam os shows de jazz, o que não aconteceu nas edições anteriores do festival. E estes shows – que terão capacidade menor devido ao tamanho do Auditório – acontecerão no fim do dia e brigarão apenas com as atrações de pista e não com os principais shows do evento. Ainda lamento começar um festival que termina tão tarde às 14h, o que restringirá o público das primeiras atrações, O mais complicado vai ser pra quem quiser ver Robert Plant e Cameron Winter, que vai ter que largar o show do vocalista do Led antes do final pra assistir ao show do jovem mestre do Geese, e quem quiser assistir a Oklou, Beirut e Lykke Li, que terá que sacrificar trechos alguns desses shows. Uma notícia boa é que a passarela de transição entre a arena e a tenda (que estava aberta na primeira edição do evento e ficou fechada nas duas seguintes) voltou a funcionar, diminuindo pelo menos quinze minutos de caminhada entre estes dois palcos. Além disso, o norte-americano Dijon não comparecerá ao festival e seu show foi substituído por uma apresentação de Mano Brown com participação de Rincon Sapiência. Ponto pro festival, que perde uma atração gringa importante, mas substitui com um show talvez melhor que o original, mesmo que o show de Brown não seja inédito.

Veja abaixo:  

Ótima sexta

Sexta-feira surpreendente na Porta Maldita, quando tivemos três estreias na edição desta semana do Inferninho Trabalho Sujo. A noite começou doce e delicada com o folk da dupla Nalu & Annina, grata surpresa acústica e com sensibilidade musical para unir universos musicais distintos como Adrianne Lenker (“Not a Lot, Just Forever”), Simon & Garfunkel (“Kathy’s Song”), Beto Guedes (“Amor de Índio”), Neil Young (“Harvest Moon”), Lô Borges (“Como o Machado”) e Milton Nascimento (“Mistérios”) que soavam gêmeos a partir de sua conjunção vocal e leveza de vozes. Acompanhadas pela quieta e habilidosa Lorena Braco ao violão, as duas ainda mostraram músicas próprias que, apesar de pertencer ao universo que descortinaram com as canções alheias, têm personalidade distinta o suficiente para referendar um trabalho autoral em construção. No final do show ainda convidaram a amiga Lígia de Castro e o duo vocal virou trio para uma versão maravilhosa para “These Days” que Jackson Browne compôs com 16 anos e que ficou eternizada pela Nico, além de um bis em cima de outra joia, “Desenredo”, de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro. Fizeram bonito e estão prontas.

Depois de Nalu & Annina a festa seguiu com um dos pés em Minas Gerais, mas sai a delicadeza folk para entrar o peso jazz rock da banda Caruma, liderada pelos compositores Tom dos Reis (vocais e baixo) e Pedro Caldeira (vocais e guitarra), que já começou o show, ainda que na brincadeira, usando “Don’t Let Me Down” pra mostrar a dupla formada à frente do grupo, que ainda conta com sopros de Ma Vettore (flauta), Vinícius França (sax) e Daniel Gerecht (sax e flauta) e a bateria absurda de Tommy Coelho. Mas a canção dos Beatles acidental foi só pra esquentar os instrumentos e começar a tocar sério. E põe seriedade nisso porque quando entram no território que estão mapeando como seu (e só tocaram músicas autorais), criam um universo sonoro particular a ponto de incluir todo o jazz mineiro descendente do Clube da Esquina (dá pra ouvir de Toninho Horta a Novelli, passando por Beto Guedes, Tavito e Flávio Venturini) mas misturando com linhagens de rock progressivo que passam pelas vertentes brasileiras (Mutantes fase Sérgio, Som Imaginário, Moto Perpétuo e Terreno Baldio) e estrangeiras (e de todo tipo, indo de Rush a King Crimson, passando por Geneis e Yes). E além da verve instrumental de todos os integrantes, destaca-se o entrosamento dos dois compositores, tanto em termos vocais quanto instrumental, e o baixo inacreditável de Tom, que é puro carisma tanto quanto canta quanto quando toca. A banda tá prontinha, só decolar!

E a noite de sexta fechou com Pra Sempre Pepito, projeto autoral do guitarrista Pedro Amaro, o próprio Pepito, que também é baterista da banda Florextra (que inclusive já tocou no Inferninho). Lançando seu EP A Vida é Muito Vibes, ele equilibra-se entre a seriedade e a ironia com o mesmo senso lúdico e bem humorado que desafia um meio-termo entre o indie rock e o jazz pop, com o auxílio luxuoso de uma banda formada por Pedro Abujamra (teclados), Toti Villares (sax), Ma Vettore (que estava tocando flauta no Caruma e agora assumiu o baixo) e Luigi Delphino (bateria). Tocando inéditas e uma (ótima) música instrumental, encerrou a noite colocando o astral lá em cima, numa sexta-feira muito, como ele mesmo diz, ~ vibes ~.

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