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Lá vem a Orfeu Menino!

Eis o primeiro single da Orfeu Menino, “Imagina”, que chega às plataformas de áudio nesta sexta-feira, mas que a banda antecipou em primeira mão para o Trabalho Sujo. Há quase três anos na guerrilha da música independente, a banda conseguiu que o grande Gustavo Ruiz produzisse este primeiro single, que traduz a vibe bem brasileira da banda, misturando pop dos anos 80 com MPB dos anos 70 – esta última aprofundada na parte instrumental da segunda metade da música. “Escolhemos começar por essa música primeiro porque é uma das que a galera canta mais e depois porque é uma composição 100% coletiva, e uma das primeiras que fizemos”, explica a vocalista Luíza Villa, que lidera o grupo à frente de Pedro Abujamra (teclados), João Vaz (guitarra), João Ferrari (baixo) e Tommy Coelho (bateria). Groove suave, saca só…

Ouça abaixo:  

A última volta do Durutti Column

Um dos nomes mais influentes do pós-punk inglês não tem ataques abruptos, colagens pós-modernas ou colisões rítmicas – e sim trabalha com texturas de guitarras que mais soam hippies do que punks, dedilhados de sonho que eram o oposto do que o status quo do novo gênero pedia à época e que soaram como universos paralelos para diferentes artistas décadas seguintes – e ele está de volta. O Durutti Column do guitarrista Vince Reily é um dos produtos musicais mais notáveis de Manchester e estamos falando da mesma cidade que nos deu os Buzzcocks, o Joy Division/New Order, os Smiths, o Fall, os Stone Roses, os Happy Mondays, os Charlatans, o Verve, o Oasis e o Floating Points. Seu estilo único de tocar guitarra é a base para experiências sonoras transcendentais que fundem free jazz, folk, jazz fusion e música erudita contemporânea e inspiraram artistas tão diferentes quanto Brian Eno, Blood Orange, John Frusciante, Harry Styles e Frank Ocean. E ele está voltando para o disco depois de mais de uma década longe do estúdio devido a problemas de saúde que atravessou, contando alguns derrames. Estes o deixaram longe da guitarra para apresentações ao vivo, mas ele mantém a chama acesa ao anunciar o que pode ser o último disco de sua banda – um trio, que mantém ao lado do eterno parceiro e baixista Keir Stewart e do velho camarada percussionista Bruce Mitchell -, o álbum Renascent, anunciado nesta quarta-feira com o lançamento do single “Liars”. O disco chega aos ouvidos públicos no último dia de julho e já está em pré-venda. É o primeiro disco da banda desde o A Paean to Wilson, de 2010, e possivelmente o último disco que lançará com gravações novas, uma vez que sua saúde andaria delibitada no limite. Ouça abaixo o primeiro single e veja o nome das músicas deste próximo trabalho:  

Henry Rollins e Ian McKaye ressuscitam o disco perdido dos Cramps produzido por Alex Chilton

No fim do ano passado, Henry Rollins mencionou que estava trabalhando com Ian McKaye e começaram as especulações que dois dos maiores nomes da cultura faça-você-mesmo do punk dos Estados Unidos estavam compondo ou gravando disco. Mas o vocalista do Black Flag e da Rollins Band e o cérebro por trás do Minor Threat e do Fugazi logo desmentiram que pudessem estar fazendo algo autoral e agora a verdade vem à tona: os dois estão começando a chafurdar no extenso arquivo dos Cramps, reativando a seminal gravadora do próprio grupo, a Vengeance Records, para mostrar joias enterradas no passado da banda que finalmente verão a luz do dia. Uma das bandas mais transgressoras da história da música gravada, o grupo liderado pelo casal Lux Interior e Poison Ivy é o monstro que o rock’n’roll deveria ter sido caso não fosse cooptado pela indústria fonográfica. Embora sejam mais reconhecidos por fundar o gênero chamado psychobilly, os Cramps eram viciados em música pop que gostavam de se enfiar até o pescoço no pântano do rock sujo, causando comoções por onde passavam. O primeiro lançamento desta nova fase vem dos estúdios da gravadora Ardent, quando o líder do Big Star resolveu, ainda em 1977, produzir o primeiro disco da banda, que só seria lançado em 1980 com o título de Songs the Lord Taught Us, E na primeira sessão que fizeram no clássico estúdio de Memphis, Chilton pediu pra banda gravar várias músicas para depois escolher as que lançariam como compactos antes do lançamento do disco. E, como Rollins detalha no texto de apresentação do disco (leia abaixo), eles fizeram essas gravações que não foram lançadas à época e quase viram a luz do dia no final dos anos 80, quando Lux e Poison voltaram àquelas gravações e fizeram novos mixes para a seleção de música, que seriam lançadas como um disco voltado para os fãs chamado de Gravest Gravy. Mas, por algum motivo, o projeto foi engavetado e só agora volta a surgir para o público, quando Rollins e MacKaye começam a mostrar o que conseguiram levantar nos arquivos da banda a partir deste primeiro registro dos Cramps em estúdio, que chega ao público dia 21 de agosto e já está em pré-venda. Ouça abaixo o primeiro single deste novo álbum, “TV Set”, bem como um texto de Rollns sobre a descoberta deste disco perdido e o nome das faixass:  

Thom Yorke + Flea ♥ Marvin Gaye

Flea lançou um belo disco solo no começo do ano (chamado Honora, vale conferir) e ao passear pela Europa tocando ao vivo o novo trabalho, convidou o chapa Thom Yorke para dividir o palco no show que fez em Londres nesta terça-feira. Parceiros na banda Atom for Peace, o baixista do Red Hot Chili Peppers e o vocalista do Radiohead já quebraram o gelo de cara quando Flea convidou Thom para subir ao palco para acompanhá-lo em “Traffic Lights”, música da banda que têm juntos, logo na segunda música. O show realizado na casa Koko ainda contou com a participação de Warren Ellis (na faixa “Frailed”) e versões para músicas de Jimmy Webb (“Wichita Lineman”), Frank Ocean (“Thinkin Bout You”) e Funkadelic (“Maggot Brain”) e logo após esta última Flea chamou Thom de volta ao palco para dividir uma versão de dez minutos para a irresistível “Got to Give It Up”, do Marvin Gaye. Que delírio.

Assista abaixo:  

Música e emoção

Emocionante a estreia do novo projeto do mago Chicão Montorfano, que apresentou seu novo trio, o Chicão Acústique Trio, regido pela sigla CAT, que montou ao lado da cantora Marcela Helena e do percussionista Nicolas Farias. A apresentação começou com o músico apenas ao piano uma peça própria inspirada em Egberto Gismonti e batizada de “Gismontando”, que viu a entrada do percussionista para, finalmente, receber a vocalista num arranjo maravilhoso para “Primavera”, do José Miguel Wisnik, que transformou-se na autoral “Sininho”, que lançou na primeira parte (a única lançada) de seu primeiro disco solo, Mistura. O trio seguiu passando por mais músicas alheias, sempre entortando os originais com arranjos absurdos, primeiro “A Volta do Malandro” do Chico Buarque, seguida da estupenda “The Free Design” do grupo anglofrancês Stereolab. Depois emendou na parte autoral da noite, trazendo canções simples (como uma bossa nova de um minuto feita durante o período pandêmico para caber no único minuto de duração que os reels do Instagram permitiam à época) e mais ousadas, para depois visitar outros autores queridos, como quando entrou em “Mergulhar na Surpresa” de Maurício Pereira e emendou duas que havia tocado na semana passada com André Abujamra, desta vez sozinho ao piano, primeiro num recital de Clarice Leite e depois com sua versão para “River Man”, de Nick Drake – e as duas canções dispararam a emoção no palco que logo contagiou a plateia, vertendo lágrimas, antes de encerrar a noite com um arranjo de chorar para “O Quereres” de Caetano Veloso. Noite mágica.

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Chicão: CAT

Encerrando a programação de música em maio no Centro da Terra nesta terça-feira, temos outra apresentação do pianista Chicão, que depois de dividir o palco com André Abujamra na semana passada, agora volta com seu projeto solo chamado de Chicão Acústique Trio – ou, como ele prefere encurtar, CAT. Ao lado da cantora Marcela Helena e do percussionista Nicolas Farias, ele mostra suas próprias composições, que começou a expor depois que fez sua temporada no teatro em novembro de 2023, com esta formação mínima e precisa. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Dois discos num só

A menos de um mês do lançamento de seu terceiro álbum, Olivia Rodrigo revelou nesta terça os títulos das músicas e um pequeno detalhe sobre seu novo disco – ele tem dupla personalidade! Na verdade, You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love revela-se vintage como toda a tradição pop que ela vem afagando desde que começou a falar do disco e divide-se em duas metades como bem quer o conceito de álbum, forjado numa época em que os discos tinham dois lados e que a duração de cada metade não passava muito além dos 20 minutos. E como vários antes dela, Olivia aproveita essa divisão conceitual para mostrar que o título do disco carrega duas metades distintas: o lado A chama-se Girl So In Love (Garota Tão Apaixonada), que abre com a “Drop Dead” que lançou como primeiro single, e o lado B chama-se You Seem Pretty Sad (Você Parece Bem Triste), abrindo com o segundo single, revelado semana passada, “The Cure”. Assim, o título – Você Parece Bem Triste para uma Garota Tão Apaixonada – não é só um estado de espírito único, mas partes distintas de um processo – e isso se reflete também no título das músicas: “Honey bee”, “U + Me = <3” e “My Way” no lado A, “What’s Wrong With Me”, “Less” e “Cigarette Smoke” no lado B.

Sonny Rollins (1930-2026)

Sonny Rollins, último sobrevivente da maior geração do jazz (que floresceu em Nova York, nos EUA, durante os anos 50), nos deixou nesta segunda-feira, com um legado que segue mesmo após sua passagem – e no mesmo dia do centenário de Miles Davis. Escrevi sobre sua importância em mais uma colaboração para o Toca UOL.  

Distopia periférica

Acontecimento – título da temporada que o trio formado no Rio de Janeiro Crizin da Z.O. apresentou às segundas-feiras deste maio no Centro da Terra – também é uma boa forma de descrever a última noite dessa safra de apresentações ao vivo. Cris Onofre, Danilo Machado e Marcelo Fiedler acresceram à sua formação um segundo percussionista (Gênesis Chagas, baterista da banda carioca Cidade Partida) para receber Juçara Marçal, que ativou sua faceta Delta Estácio Blues, com aparelhos eletrônicos e afeita aos beats pesados e ao tambozão funk que movimenta a parede de ruído erguida pela banda. Foi demais vê-la entrando na zona oeste do Rio de Janeiro do som da banda, ela mesma nascida em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e deixando aflorar todo groove contagiante do funk com o peso e a distorção elétrica dos efeitos à disposição, ao mesmo tempo que fazia o grupo entrar no modo distopia que filtra seu segundo álbum, fundindo sonoridades e temáticas no mesmo clima apocalíptico, que ainda colocou os anfitriões da temporada para enveredar por “Sem Cais”, que Juçara compôs com Kiko Dinucci e Negro Léo, numa versão inacreditável. Chave de ouro.

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