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Hipnose guiada

Encabeçado por dois mestres do improviso da noite paulistana, a dupla Qmar pousou mais uma vez no Centro da Terra mostrando como a química musical entre Paula Rebellato e Cacá Amaral é um lento fogo contínuo que busca novas fronteiras sem exceder na intensidade, diferente dos trabalhos anteriores que os dois fizeram. O nível de conexão sonora pode até levar a picos de tensão de ruído, mas sempre dentro de uma mesma amplitude musical, mais interessada em ampliar sua área de atuação do que chocar pelos gritos, modulações eletrônicas ou microfonias elétricas. E mesmo que estes elementos façam parte da paleta artística da apresentação, eles nunca transbordam, o que fez a presença das madeiras da convidada da noite Juliana Perdigão, que participou do início e do final do espetáculo com seus clarinete e clarone, encaixando-se magicamente com o enlace musical de Cacá (entre a bateria e a guitarra) e Paula (entre os synths, vocais, eletrônicos e baixo) e provocando quase uma sessão de hipnose guiada no público. A luz sem cores de Karin Santa Rosa deixou esse encontro ainda mais implacável.

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Qmar + Juliana Perdigão: Espírito Espião

Mais uma vez a dupla Qmar volta ao Centro da Terra, desta vez apresentando o espetáculo Espírito Espião, que fazem em parceria com a musicista e compositora Juliana Perdigão. Formada por Paula Rebellato (Rakta, Madrugada) e Cacá Amaral (Rumbo Reverso, ex-Firefriend), a dupla trabalha texturas eletrônicas e arquitetura rítmica, expandindo o universo da canção rumo ao improviso. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Às sombras, são…

Em mais uma noite de sua temporada no Centro da Terra, Sara Não Tem Nome reuniu três parceiros para, em momentos separados, celebrar conexões a partir da sombra, do fantasmagórico, do oculto. A apresentação começou com a presença de Lorena Hollander, que trouxe sua guitarra, seu koto e sua espada para ritualizar o início da noite. Depois foi a vez de chamar Marina Mole, que está prestes a lançar seu disco, para mostrar canções inéditas, encerrando a apresentação com Vladimir Safatle ao piano, fazendo uma versão para “Mad World”, dos Tears for Fears. E num bis improvisado, Sara voltou sozinha para encerrar seu ritual só com sua guitarra, puxando sua “Ponto Final” depois dos agradecimentos e antes de chamar os três convidados para a saudação do fim, único momento em que os três dividiram o palco.

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Adorável Clichê ♥ Beach House

Ao participar do Cultura Livre da Roberta Martinelli, a banda catarinense Adorável Clichê chamou pra si a responsa de fazer uma versão para “Myth” do Beach House como faixa-bônus do Cultura Livre, que só dá pra assistir no YouTube do programa. Mandaram bem.

Assista abaixo:  

Cabeça Dinossauro vivo!

Juliana Perdigão se propôs um senhor desafio – recriar o Cabeça Dinossauro dos Titãs em seu aniversário de 40 anos, materializado neste fim de semana no palco do Sesc 14 Bis. Reuniu um grupo de malucos pela música e pelo trabalho do ex-octeto paulistano que era um verdadeiro ataque aos sentidos. A banda formada por Alana Ananias (bateria), Mari Crestani (baixo), Moita Mattos e Vitor Wutzki (guitarras), Chicão (teclados) e Barulhista (eletrônicos) era encabeçada por Danislau (do Porcas Borboletas), Jonnata Doll, Sophia Chablau e a própria Juliana, que além dos vocais e de dirigir o show, batizado de Urro!, também desdobrava-se entre seus instrumentos de sopro. Tocada na ordem original do disco (como todo show em homenagem a um álbum deveria se prezar), a apresentação começou com a faixa-título abrindo a noite com um solo de bateria, que foi sendo incorporado lentamente pela banda até que os vocalistas entraram com os pedestais dos microfones erguidos como tacapes, repetindo o mantra agressivo da música de abertura que, sem pausas, foi emendada com a dadaísta “AA-UU”. Sem conversas com o público, o show seguiu emendando as músicas do disco, mantendo o clima austero e brutal e o recondicionando para 2026, com interferências de vanguarda que os Titãs não fizeram em 1986, mas que faziam parte de seu universo sonoro e artístico, como os solos de sola de sapato de Jonnata Doll antes de uma versão esticada para “A Face do Destruidor”, as interferências sonoras de Barulhista no início de “Polícia” ou “Família” deixar de ser um reggae. A movimentação do grupo no palco conversava diretamente com a performance da banda na época do disco (I was there…) e a luz forte de Olívia Munhoz – com o vermelho mais pesado que já vi num palco e o contraponto de cores intensas – inverteu o preto e branco da arte do disco para um universo visual gritante, que só aumentou a importância desta noite. E num Brasil em que ninguém lembra de “Bichos Escrotos” (não é bizarro isso?), esse show é urgente.

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Neil Young melancólico

O decano Neil Young anuncia mais um disco com sua atual banda Chrome Hearts e começa os trabalhos com a melancólica faixa-título de Second Song, um lamento de quase doze minutos que vem como um respiro que o velho canadense faz de sua campanha anti-Trump, da qual tornou-se adversário ferrenho. É o terceiro disco que lança à frente deste novo conjunto, depois do disco de estreia (Talking to the Trees, do ano passado) e de um disco ao vivo (As Time Explodes, lançado no início do ano) e deixa a eletricidade vivaz característica das composições mais recentes para abrir aquele seu clássico cômodo mental em que a introspecção, instrumentos acústicos e vocais sobrepostos tornam-se uma só sensação. Que beleza.

Ouça abaixo:  

Erykah Badu ♥ The Alchemist

Um encontro entre duas das grandes forças da música contemporânea dos Estados Unidos foi registrado há dezoito meses mas só agora começa a vir a público, quando a cantora e compositora Erykah Badu e o produtor e rapper The Alchemist anunciam finalmente o lançamento da colaboração que gravaram há mais de ano entre as suas respectivas cidades, Dallas e Los Angeles. Ainda sem título, o disco (já em pré-venda) deve sair no fim deste mês e teve uma de suas faixas (sintomaticamente batizada de “Witch Doctor”) disponibilizada há pouco, dando um gostinho da fusão das magias destes dois monstros sagrados.

Ouça abaixo:  

Minha participação no Spim 2026

Neste domingo vou fazer a mediação da mesa É Possível Viver de Música Independente? dentro da programação de conferências da São Paulo Independent Music, que acontece na Casa Rockambole. A mesa também conta com a participação de Alê Sater (do Terno Rei), Phil Fargnoli (do CPM22) e Léo Ramos (do Supercombo) e começa a partir das 15h. Quer sugerir alguma pergunta?

E essa faixa escondida do Lost Weekend da Phoebe Bridgers?

Ainda digerindo o calhamaço emocional que é Lost Weekend da Phoebe Bridgers e não bastasse ela vir com 16 músicas para abalar o coração de 2026, ainda há uma décima sétima faixa escondida nas edições físicas do disco. “Best Dressed” é uma parceria com o ex-vocalista do Black Country New Road singer, Isaac Wood, que abrirá alguns shows da cantora norte-americana na turnê de lançamento do disco. Na edição em vinil, a faixa vem após a última canção do álbum, “ Lost Weekend (Reprise)”, mas no CD, se você segurar o botão para voltar a música logo no início da primeira canção, “The Outside”, o contador de tempo retrocede negativamente até revelar que há uma faixa antes da faixa de abertura. Muito bom ver que ela soube temperar um disco com muitas camadas com outras tantas pistas escondidas espalhadas por aí (como um texto em alto relevo na edição em vinil ou a forma que o encarte brilha quando posto sob uma luz negra). E não deve terminar por aí…

Ouça “Best Dressed” abaixo:  

Vandal pesado!

Outro disco inacreditável que saiu nesta semana é o quarto álbum do rapper baiano Vandal. Ou primeiro, já que ele mesmo chama seus discos anteriores de mixtape e transforma seu novo Vanguardah em um monumento à fusão de música urbana que vem praticando na última década. Dirigido por Russo Passapusso e produzido por Tiago Simões, o novo disco funde suas habilidades como MC – o baiano é pioneiro do grime e do drill, variantes radicais e pesadas do rap – com grooves de rua baianos, como o samba-reggae e o pagodão baiano, além de envernizar o disco com a presença do maestro Ubiratan Marques e sua Orquestra Afrosinfônica, primeiro astro de um time estelar de colaboradores no álbum, que vai do próprio Russo a Josyara, passando por Livia Nery, Giovani Cidreira, Hiran e KL Jay, entre outros (além dessa capa absurda!). E já desponta como um dos grandes discos brasileiros de 2026. Ouça agora.

Ouça abaixo: